27-06-2017 – 14:21:05
O aumento do ruído político vindo de Brasília nos últimos dias reduz as chances de aprovação das reformas nas quais o governo tem trabalhado, e tende a enfraquecer a recuperação econômica por conta do menor nível de investimentos que deverão ser realizados nos próximos meses, segundo avaliação de David Beker e Ana Madeira, economistas do Bank of America Merrill Lynch (BofA) voltados para o mercado brasileiro. “O otimismo com a recuperação da economia, com uma taxa de juros estruturalmente mais baixa e com a melhoria da dinâmica fiscal estava todo baseado no progresso da agenda de reformas. Qualquer atraso deve afetar os indicadores de confiança e enfraquecer a já frágil retomada econômica”, diz o relatório do banco americano.
Em função dessa leitura sobre o cenário macroeconômico doméstico, os especialistas da instituição financeira reduziram suas projeções para o crescimento da atividade econômica do Brasil – para 2017, a estimativa diminuiu de 1% para 0,25%, e para 2018 caiu de 3% para 1,5%. Para a taxa básica de juros, os economistas do BofA acreditam que ela deve chegar a 8,25% até o final do ano e se manter nesse nível em 2018, frente aos atuais 10,25%, e à estimativa anterior de 9%, já que o Banco Central (BC) deve seguir com seu processo de afrouxamento monetário diante do atual patamar no qual se encontra a inflação. Para a inflação, a projeção do BofA foi de 4,4% para 3,9% em 2018.
Além disso, os profissionais esperam também um aumento do déficit fiscal primário em 2017 e 2018, com a dívida bruta alcançando aproximadamente 82% do PIB no ano que vem, ante a projeção anterior de 78%. A dinâmica fiscal continua desafiadora no curto prazo, e a perspectiva de um crescimento mais fraco para os próximos dois anos deve reduzir ainda mais as receitas, dizem os especialistas. Eles entendem que, para atingir a meta fiscal de déficit de R$ 139 bilhões em 2017, e de R$ 95 bilhões em 2018, o governo terá de buscar receitas não recorrentes. Ainda de acordo com os profissionais do BofA, a forte equipe econômica, as medidas que foram implementadas nos últimos meses, a dinâmica benigna da inflação e a expectativa por uma Selic mais baixa são fatores que devem fazer o Brasil seguir nos trilhos até as eleições de 2018. “Estamos revisando nosso cenário macro para incorporar um risco maior de atraso na aprovação das reformas, e o aumento da incerteza sobre a recuperação econômica”.