10-04-2017 – 13:50:26
O fundo Verde, sob a gestão de Luis Stuhlberger, reduziu sua exposição ao mercado acionário brasileiro, e aumentou sua posição comprada em dólar contra o real, por conta das incertezas que envolvem a aprovação da reforma da previdência, e pelo fato de o mercado ainda não ter precificado esse risco que existe no cenário.
A reforma da previdência, escrevem os especialistas responsáveis pelo fundo no relatório de gestão referente a março, é o evento que vai concentrar as atenções dos investidores no segundo trimestre de 2017. Os gestores do Verde notam que a situação fiscal do país, tanto no curto quanto no médio e longo prazos, continua extremamente frágil. Eles avaliam que a aprovação de uma reforma da previdência robusta, que seja capaz de reduzir a curva de crescimento dos gastos, é condição necessária, ainda que não suficiente, para que o teto dos gastos funcione, e para que a trajetória da relação dívida/PIB fique bem-comportada. “Diante desse contexto, vemos com bastante preocupação os sinais vindos de Brasília nas últimas semanas”, aponta o relatório do fundo.
O conteúdo da reforma tem sido sistematicamente aguado, escrevem os gestores do Verde, que alertam que as negociações políticas estão apenas começando. Os especialistas do fundo entendem que a dinâmica dessa negociação é distinta daquela observada na PEC dos gastos, e avaliam que o governo perdeu a batalha da comunicação, com a resistência crescente da população à reforma. Os responsáveis pelo fundo escrevem ainda que os congressistas, sob a égide da máxima popular “sem foro, é Moro”, relutam sobremaneira em aprovar algo que reduza sua probabilidade de reeleição. “O mercado por enquanto se mantém complacente, e isso nos preocupa. Não sabemos até quando, mas nos lembramos da situação do grão que desmorona a pilha de areia”, diz o documento, que questiona qual será a concessão na reforma da previdência que vai provocar uma correção não-linear dos mercados.