BNP Paribas prevê taxa de juros em 8% e inflação de 4% em 2017

14-03-2017 – 12:24:26

 

O BNP Paribas prevê que o crescimento do PIB do Brasil será de 1% em 2017. A projeção do banco para a inflação medida pelo IPCA aponta para 4%, e para a Selic, a estimativa da instituição financeira é de 8% em dezembro próximo, com o Banco Central (BC) acelerando o ritmo de corte dos juros na reunião de abril de 0,75 ponto percentual para 1 ponto percentual. “Vemos com bons olhos a perspectiva para a economia brasileira, que em nossa visão está em uma transição, saindo de um ciclo vicioso para um ciclo virtuoso”, disse Marcelo Carvalho, economista-chefe do BNP Paribas, durante coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira, 14 de março. As projeções do banco destoam da média do mercado – no boletim Focus, os economistas ouvidos pelo BC projetam crescimento de 0,48% em 2017, com a inflação em 4,19% e a Selic em 9%.

Carvalho mudou seu ‘call’ para o corte na taxa de juros de 0,75 ponto percentual para 1 ponto percentual após os dados de inflação de fevereiro terem vindo abaixo do esperado pelo mercado, confirmando a trajetória declinante dos preços à frente, alem dos dados do PIB do quarto trimestre de 2016, que também ficaram abaixo do projetado pelos especialistas. “Quando olhamos os dados de inflação em detalhes, vemos que houve uma queda generalizada dos preços, puxada pela inflação de alimentos, mas a inflação de serviços também caiu, assim como a de bens comercializáveis e não comercializáveis. Foi uma queda generalizada que aumentou a confiança em um cenário de inflação bem comportada”.

A visão cautelosa que o banco teve em relação ao cenário brasileiro nos últimos anos foi “radicalmente” alterada em meados de 2016, quando do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff que culminou na troca de governo. Carvalho citou três razões para o maior otimismo do banco com a economia brasileira – o diagnóstico correto identificado pelo atual governo sobre o problema fiscal do país, com a adoção de medidas como o teto dos gastos e a reforma da previdência; nomes qualificados na equipe econômica, no BC, na Fazenda, no BNDES e na Petrobras, exemplificou o especialista; e o terceiro ponto, e mais importante, segundo Carvalho, é a boa articulação do governo no congresso. “É impressionante a forma como o Executivo tem sido capaz de aprovar coisas importantes no congresso”. Essa visão positiva sobre o ambiente local sustenta as projeções macroeconômicas do BNP Paribas para 2017, pontuou o economista-chefe do banco. “Achamos que o pior já passou, e que a economia volta a crescer ao longo desse ano”.

Para que esse quadro otimista se confirme, no entanto, Carvalho ressaltou que é essencial a aprovação da reforma da previdência. Se a reforma não for aprovada, a percepção de risco vai piorar, a taxa de câmbio tende a se desvalorizar, a inflação volta, o BC não poderá cortar tanto os juros e o desempenho da economia será pior, prevê o especialista. “A perspectiva de crescimento é positiva, mas tudo depende do avanço na reforma da previdência, que é fundamental para confirmar o quadro mais favorável de percepção de risco, queda de juros e expansão da economia”.

Meta de inflação – Durante a coletiva o economista-chefe do BNP Paribas afirmou ainda que acredita que na reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN) neste ano a meta para a inflação a partir de 2019 deveria ser reduzida para 4%. Carvalho lembrou que a maioria dos pares emergentes do Brasil tem uma meta de inflação mais baixa, de 3%, contra os 4,5% vigentes atualmente domesticamente. Ele destacou também que a banda de flutuação dos nossos pares é de 1 ponto percentual, contra os 2 pontos percentuais adotados pelo Brasil. “Temos hoje um alinhamento astral para poder ter a ambição de uma meta menor nos próximos anos”. Esse alinhamento astral, explicou, se deve à inflação, que “está derretendo”, com as expectativas de inflação também cedendo fortemente, com o avanço das reformas, e com mais credibilidade da política fiscal e monetária. “O BC está conseguindo recuperar rapidamente a credibilidade que tinha sido arranhada nos anos anteriores”.

Carvalho recordou que em 2011 já tivemos um cenário no qual as expectativas para a inflação estavam bem ancoradas, quando o mercado esperava que a meta seria revisada para baixo, o que acabou não se confirmando. “O governo naquela época perde uma oportunidade histórica”, pontuou o especialista. “Agora temos uma nova oportunidade histórica, o grau de ociosidade da economia é imenso, dada a recessão dos últimos anos, e seria um desperdício não aproveitar essa recessão, que foi muito dolorosa, para não fazer uso desse enorme grau de ociosidade da economia para perseguir uma meta de inflação menor”.

Rating – Questionado sobre uma eventual alteração no rating do país por parte das agências de classificação de risco, o economista-chefe do banco afirmou que espera por uma mudança na perspectiva, de negativa para estável ou até positiva, ainda em 2017. Uma melhora da nota em si, no entanto, Carvalho espera que ocorra somente em 2019. Novamente a reforma da previdência foi citada como o ponto principal a ser monitorado pelas agências para uma eventual alteração da perspectiva do rating nos próximos meses. “As agências ainda olham a incerteza eleitoral como uma dificuldade a ser superada. Como as eleições são só em outubro de 2018, acho que podemos almejar voltar a ter o grau de investimento, mas ainda está longe, essa é uma história para o próximo governo a partir de 2019”.