Chances de corte de 75 bps na Selic em janeiro são “bastante boas...

06-01-2017 – 17:06:10

 

Na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), que acontece nos dias 10 e 11 de janeiro, as chances de um corte agressivo de 75 bps na Selic são “bastante boas”, apontam os gestores do fundo Verde em relatório. Desde que iniciou o processo de afrouxamento monetário, em outubro do ano passado, a autoridade promoveu duas reduções de 25 bps na taxa básica de juros, atualmente em 13,75%.

“O que nos parece claro é que as condições para uma forte aceleração do corte de juros estão colocadas”, escrevem os especialistas do fundo sob responsabilidade do gestor Luis Stuhlberger. Entre essas condições, eles citam a queda da inflação e o crescimento que não reage, que inclusive fez o governo Temer voltar a explorar “pacotes” para tentar animar os chamados espíritos animais. “Não há razões para que o Banco Central não adote uma postura mais agressiva”. Diante do cenário previsto para a política monetária doméstica, alem da posição em juro real, o Verde montou uma posição aplicada em pré para capturar tal movimento. Os gestores notam que, sem uma melhora da atividade, o problema fiscal do país não tem solução, vide a dificuldade enfrentada pelos estados. Eles escrevem ainda que o corte da Selic não vai gerar crescimento, mas deveria deixar de restringir a retomada.

Barreiras e conflitos – No front internacional, o destaque do relatório do Verde é a continuidade do movimento de valorização do dólar contra a grande maioria das moedas globais, reflexo das taxas de juros mais altas nos Estados Unidos. Alem do aumento dos juros, no entanto, os gestores avaliam também como outro fator relevante para a apreciação da moeda americana as indicações do presidente Donald Trump na montagem de sua equipe, que reforçam uma postura bastante protecionista no comércio global. “Wilbur Ross, Robert Lighthizer e Peter Navarro formam o triunvirato que deve direcionar o novo governo numa direção de muito mais barreiras e conflitos”.

O Verde recentemente montou posições em moedas de diversos países asiáticos em virtude da expectativa de continuidade da valorização do dólar  nos próximos meses, como Cingapura, Taiwan, Coréia e Malásia. No entanto, a grande posição do veículo continua sendo contra o renminbi chinês. Os especialistas avaliam que a própria dinâmica do gigante asiático reforça a direção de uma moeda desvalorizada. Eles lembram que o desafio de conter a fuga de capital está ficando cada dia mais complexo na China, com as pressões acelerando desde setembro do ano passado. “Os dilemas da economia chinesa em termos de crescimento, liquidez, taxas de juro e de câmbio estão ficando mais agudos, e a probabilidade de um movimento mais forte de desvalorização do renminbi está crescendo”.

O Brasil, “curiosamente”, tem passado ao largo dos impactos de um dólar mais forte até o momento, apontam os gestores. Pelo contrário, no fim do ano passado o real chegou a alcançar níveis de sobrevalorização que não eram observados há alguns anos. “Fluxos fortes criaram essa quebra de correlação, que não nos parece sustentável a médio prazo”.