12-09-2016 – 15:00:37
Apesar da operação Greenfield, desencadeada pela Polícia Federal na semana passada para apurar irregularidades em investimentos estruturados de fundos de pensão, o presidente da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), José Ribeiro Pena Neto, avalia que as fundações devem aumentar as alocações em fundos de participações (FIPs) nos próximos anos diante do cenário esperado de redução da taxa básica de juros. “Para o país crescer são necessários juros mais baixos, e os juros mais baixos aumentam o risco, e a volatilidade dos resultados dos fundos de pensão”, afirmou o executivo, durante o 37º Congresso Brasileiro dos Fundos de Pensão, organizado pela associação e que ocorre até quarta-feira em Florianópolis. “Isso incomoda os participantes, e será preciso um esforço de comunicação muito maior, mas não tem como fugir a isso”, ponderou Pena Neto.
O presidente da Abrapp disse ainda que muito dos retornos ruins das carteiras dos FIPs das fundações no passado recente estão mais relacionados aos próprios problemas macroeconômicos que o país atravessou do que à gestão imprudente dos dirigentes responsáveis. Pena Neto destacou que é preciso um trabalho de esclarecimento entre os agentes envolvidos para que não se confundam os casos nos quais o resultado ruim deve ser atribuído a má performance do setor da economia nos quais estavam os ativos do fundo, daqueles em que houve uma “gestão temerária, ou pior ainda fraudulenta”. O dirigente afirmou também que os “desvios de conduta que possam ter havido foram pontos muito fora da curva, e não representam um padrão de comportamento do sistema de previdência complementar fechada”. Segundo Pena Neto, a maior parte dos dirigentes das fundações fica bastante incomodada quando surgem casos como a operação Greenfield, pelo receio de que se dissemine a impressão de que todo o sistema é assim.
Na avaliação do presidente da Abrapp, uma mudança que pode contribuir para reduzir os riscos do sistema é tornar a Previc um órgão de estado. “É preciso aumentar o grau de autonomia da Previc”, disse o dirigente, que falou ainda que o substitutivo ao PLP 268/2016, do deputado federal Marcos Pestana (PSDB-MG), deveria alterar o ponto que prevê um mandato de dois anos para os cargos da diretoria executiva dos fundos de pensão. “Isso pode forçar o executivo a tomar decisões que produzam bons resultados no curto prazo mas que causem prejuízos no longo prazo”, pontuou Pena Neto.