06-07-2016 – 11:19:28
O Ministério Público Federal de São Paulo denunciou várias pessoas por fraudes na aplicação de investimentos do Postalis, o fundo de pensão dos Correios. Entre os denunciados está o sócio da Atlântica Administração de Recursos Fabrizio Dulcetti Neves, o ex-diretor do BNY Mellon, José Carlos Lopes Xavier de Oliveira, o ex-presidente do Postalis Alexej Predtechensky e o ex-diretor financeiro do Postalis Adilson Florêncio. Também foram denunciados familiares de Fabrizio Neves e ex-sócios dele na Atlântica por participação nas transações.
A denúncia se refere a negociação de títulos superfaturados ocorridas entre 2006 e 2011 por meio das corretoras Latam Investments LLC e Delta Equity Services Corporation, ambas sediadas nos Estados Unidos. Segundo o MPF/SP, as corretoras compravam títulos no mercado internacional e revendiam ao Postalis com preços muito acima dos valores reais.
Fabrizio Neves era vice-presidente de renda fixa da Latam, além de sócio da Atlântica, que gerenciava alguns fundos de investimentos do Postalis. O Ministério Público aponta o executivo como mentor do esquema. “Após as corretoras norte-americanas comprarem títulos no mercado mobiliário a preços correntes, os ativos eram repassados a empresas de fachada instaladas em paraísos fiscais, que então os revendiam aos fundos de investimento do Postalis por valores artificialmente elevados”, diz a denúncia.
O MPF/SP também cita as fraudes ocorridas entre 2010 e 2011, quando a Atlântica vendeu toda a cota de títulos da dívida externa brasileira das carteiras do Postalis para adquirir ativos privados superfaturados no mercado de capitais. A transação foi feita em desacordo com o regulamento dos fundos do Postalis, que previa o investimento mínimo de 80% dos recursos em papéis da dívida externa da União. Já os títulos comprados foram referentes às dívidas da Argentina e da Venezuela.