HSBC prevê cortes da taxa Selic em outubro e novembro deste ano

01-07-2016 – 14:12:21

 

Após a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), o primeiro com o Banco Central (BC) presidido por Ilan Goldfajn, e pelos sinais de que o governo interino pode conseguir avançar na reforma fiscal, o HSBC optou por alterar sua previsão para a política monetária brasileira. A estimativa anterior apontava um corte inicial da Selic em 2017, mas agora o banco passou a prever uma queda de 0,50 ponto percentual em outubro e outra na mesma magnitude em novembro, com a taxa em 13,25% ao fim de 2016, a mesma previsão dos economistas ouvidos pelo BC para o boletim Focus. O HSBC também espera por um corte de 3,25 ponto percentual ao longo de 2017, com cinco cortes de 0,50 ponto seguidos de três de 0,25 pp, levando a Selic para 10% no fim do ano que vem; no Focus a previsão é que taxa encerre 2017 em 11%.

Os especialistas do banco lembram que Goldfajn sinalizou recentemente que avanços na reforma fiscal são necessários para permitir um corte na taxa de juros. “Embora as condições econômicas sejam desinflacionárias, elas já estão refletidas nas expectativas futuras de inflação, de acordo com o RTI e os comentários do presidente do BC”, escrevem Constantin Jancsó, economista-chefe do HSBC Brasil e Javier Finkman, economista-chefe do HSBC Argentina para América do Sul, em relatóro intitulado “progresso fiscal torna corte de juros mais provável”.

Jancsó e Finkman citam como a principal iniciativa do governo interino no front fiscal a proposta que limita o crescimento das despesas à inflação do ano anterior, o que pode reduzir os gastos como proporção do PIB, e eventualmente produzir um superávit fiscal primário. Os economistas acreditam que outras medidas de curto prazo serão necessárias para estabilizar a relação dívida/PIB, como a venda de ativos do governo, cortes adicionais de despesas e até mesmo aumento dos impostos. “As iniciativas políticas do governo interino, e principalmente seu histórico positivo no Congresso podem contribuir para melhorar a confiança e criar as condições estabelecidas pelo BC para começar o ciclo de afrouxamento monetário”, preveem os economistas do HSBC.