Queda da Selic não significa valorização da bolsa, aponta Credit ...

29-06-2016 – 14:42:12

 

A queda da taxa Selic não se traduz necessariamente em uma valorização do mercado de ações, aponta relatório do banco de investimento Credit Suisse. “Conversamos com uma série de investidores que esperam que o corte na Selic seja um catalisador positivo para o Ibovespa”, escrevem Andrew Campbell e Mariana Hernandes,  analistas do Credit Suisse, em relatório no qual questionam se os investidores de renda variável estão dando atenção demais às variações da taxa básica de juros. O boletim Focus aponta o corte de um ponto percentual na taxa Selic até o final do ano.

Pela análise feita pelos especialistas da instituição financeira, baseada em ciclos de afrouxamento monetário já realizados pelo Banco Central (BC) no passado, o risco país e a inflação são variáveis mais relevantes do que a política monetária ao se considerar a performance do Ibovespa. “Um prematuro ciclo de afrouxamento (não garantido pelos números de inflação) que não seja acompanhado por uma redução no risco país seria na verdade um fator negativo para o mercado de ações”, avaliam os analistas do Credit Suisse.

Eles lembram que o desempenho histórico do Ibovespa se mostra irregular em momentos de corte na taxa de juros. A bolsa pode subir, preveem, caso o ciclo de redução da Selic seja similar ao ocorrido entre 2005 e 2007, quando o corte veio acompanhado por uma queda do risco país, e quando a inflação estava abaixo do centro da meta. Por outro lado, caso o próximo ciclo de afrouxamento seja parecido com o ocorrido entre 2011 e 2012, em um período no qual as expectativas inflacionárias se mantiveram elevadas e o risco país apresentou uma queda tímida, ele não deve ser um catalisador positivo para a bolsa. “Entendemos que a teoria de que uma Selic mais baixa leve a uma valorização das ações é fraca”.

Já em um eventual cenário otimista, de forte queda no mercado de juros futuros, os analistas do Credit Suisse entendem que a bolsa pode ter espaço para subir, mas não por uma relação direta com a magnitude do corte na Selic, mas por uma melhora das expectativas da situação fiscal e da confiança do mercado. “Em um cenário de yields menores dos bonds do governo, os setores imobiliário, de transportes (rodovias pedagiadas) e de utilities (energia elétrica) são os que devem ter melhor performance”.