Troca no comando da Vale aumentaria risco político da companhia, ...

08-06-2016 – 16:30:16

 

Uma troca no comando da Vale, com a eventual saída do atual CEO Murilo Ferreira, rumor que tem sido ventilado no mercado nos últimos dias, seria prematura e aumentaria a percepção de risco político em relação à companhia, com provável impacto negativo para ela, diz relatório do BTG Pactual assinado pelos analistas Leonardo Correa  e Caio Ribeiro. Os especialistas dizem também que consideram Ferreira competente, e que ele está preparado para levar à Vale por um período possivelmente prolongado de baixa no preço das commodities. “Por isso, não vemos necessidade de mudança na gestão neste momento, o que poderia acabar gerando perda de valor aos acionistas”. Os analistas do banco recordam ainda que Ferreira está na Vale desde 2011, e que seu mandato expira somente em abril de 2017.

Correa e Ribeiro listam uma série de avanços alcançados pela Vale nos últimos anos sob o comando do atual CEO, como a queda de quase 50% das despesas em apenas um ano, o aumento de ao menos 23% na produtividade dos funcionários, e os bilhões de dólares que foram desbloqueados com a venda de ativos, com uma drástica simplificação das operações da mineradora. “Como temos dito nos últimos anos, acreditamos que a Vale é uma companhia bem gerida”, escrevem os analistas no relatório intitulado “Por que uma repentina mudança no comando da Vale nos preocuparia”.

Os especialistas do BTG Pactual destacam também que uma troca no CEO da Vale não é uma tarefa fácil de ser realizada, uma vez que, pelo acordo de acionistas estabelecido, ao menos 75% dos controladores tem de apoiar uma decisão do tipo. Considerando que players privados, como Bradespar e Mitsui, detém uma participação de aproximadamente 40% da Valepar, eles teriam de estar de acordo com a mudança no comando da empresa,  escrevem os analistas.