Securitizadoras não devem sobreviver nos próximos anos, prevê Fit...

07-06-2016 – 17:18:30

 

A desaceleração do mercado brasileiro de securitização, os elevados custos operacionais e a baixa lucratividade irão obrigar as securitizadoras de menor porte a sair do mercado, ou a realizar fusões com concorrentes de maior porte, aumentando a concentração do setor, segundo relatório da agência de classificação de risco Fitch Ratings.

Uma fusão com concorrentes de maior porte, no entanto, ressalta a própria agência, pode ser difícil para muitas securitizadoras menores, uma vez que o mercado já está bastante concentrado – de acordo com a Fitch, três das cerca de trinta companhias de securitização que atuam no país respodem por 60% das emissões de títulos lastreados por financiamentos imobiliários e por Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs).

“O risco operacional inerente a algumas emissões de CRIs pode aumentar se as pequenas empresas não mantiverem pessoal e sistemas apropriados para controlar e monitorar as emissões existentes”, escrevem no relatório Jayme Bartling e Rob Rowan.

As securitizadoras atuam como estruturadoras de operações de CRIs, e desde 2010, a emissão desse instrumento cresceu de forma expressiva, e soma hoje R$ 60 bilhões, ou 1% do PIB. Com essa movimentação do mercado, o número de securitizadoras também cresceu de maneira significativa, tendo em vista a falta de barreiras de entrada no setor. “A concorrência cresceu e muitas empresas passaram a utilizar preços bastante agressivos, reduzindo a lucratividade”.

A prolongada recessão da economia, que interrompeu a alta do crédito imobiliário, e a retirada em 2015 de incentivos regulatórios para que bancos de varejo utilizassem seus balanços para fornecer crédito comercial via CRIs afetaram diretamente o negócio, destaca a agência. Em função disso, as emissões dos certificados caíram 47% desde o início de 2016.