BNDES poderia vender participações na bolsa por ajuste fiscal, di...

25-05-2016 – 14:21:36

 

Dada a delicada situação financeira das contas públicas brasileiras, uma das maneiras para conseguir levantar um capital extra que pode ser direcionado aos grandes projetos de infraestrutura seria o BNDES vender parte, ou toda sua participação em empresas listadas na bolsa de valores, afirmam os analistas Carlos Sequeira e Bernardo Teixeira, do BTG Pactual, em relatório. Pelos cálculos dos analistas, entre as companhias listadas sob sua cobertura, o BNDES tem hoje participação em 30 companhias listadas na BM&FBovespa, cujo valor somado alcança R$ 51 bilhões. A exposição do banco de fomento na bolsa está concentrado nos setores de energia, mineração, papel e celulose, bens de capital, alimentos e bebidas, telecomunicações e tecnologia.

O tamanho da participação do BNDES entre as empresas varia muito, prosseguem os analistas do BTG Pactual. Em alguns casos, a exposição chega a 30%. “Se o BNDES decidir vender parte dessas participações, a pressão de venda pode ser enorme (em casos extremos, pode representar mais de 90 dias de negociações)”. De acordo com as estimativas dos especialistas, as empresas que estariam mais expostas à uma pressão vendedora seriam Fibria, que o BNDES poderia levar até 97 dias de negociação para se desfazer da posição; Tupy, na qual o banco levaria 82 dias; AES Tietê, 72 dias; e JBS, 63 dias. “Nossa expectativa seria por grandes participações sendo vendidas por blocos”.

Sequeira e Teixeira dizem também no relatório que, em alguns casos, o efeito positivo de aumento da liquidez poderia superar o efeito negativo causado pela pressão vendedora. “Empresas de boa qualidade, com liquidez relativamente baixa, seriam as mais beneficiadas. Para citar algumas, destacamos Linx, Tupy e Iochpe”, escrevem os analistas.

Fundo soberano – Os especialistas do BTG Pactual afirmam ainda que, de acordo com suas estimativas, o fundo soberano do Brasil, constituído em 2008, detém cerca de R$ 2,3 bilhões em ações do Banco do Brasil. Após o governo interino anunciar ontem que pode extinguir o fundo soberano como forma de contribuir para o ajuste fiscal, as ações do banco público encerraram o pregão em queda de 5,25%, a maior baixa do dia no Ibovespa. “Vender essas ações seria uma outra forma para o governo conseguir dinheiro para enfrentar necessidades mais urgentes”, afirmam os analistas. No ano passado, o governo já vendeu algumas ações do Banco do Brasil, portanto uma nova venda não seria uma operação completamente nova, dizem os especialistas. “Na verdade, essa possibilidade já foi especulada na mídia em várias ocasiões, principalmente no ano passado”.