09-12-2015 – 14:05:25
A indústria de fundos de investimento registrou resgate líquido de R$ 20,4 bilhões em novembro, maior nível desde outubro de 2008, quando os investidores tiraram R$ 28,9 bilhões. Os resgates, destaca a Anbima, responsável pela divulgação dos dados, se concentraram na última semana do mês; até o dia 24, um dia antes da prisão do banqueiro André Esteves, a indústria acumulava captação líquida de R$ 11,1 bilhões, com o bom desempenho nas classes renda fixa, com entradas de R$ 19,4 bilhões, e multimercados, com R$ 8,1 bilhões. “Além do recolhimento do IR “come‐cotas” no dia 30 em fundos pertencentes a essas classes, bem como do maior volume de resgates para pagamento do décimo-terceiro salário, o aumento da incerteza no final do mês também pesou sobre esse resultado”, diz a Anbima, em relatório.
Após o resultado de novembro, a captação líquida da indústria de fundos de investimento no acumulado de 2015 recuou para R$ 7,9 bilhões, o menor nível para o período desde 2008. O que impediu que a indústria tivesse um saldo negativo foi a classe de fundos estruturados, com ingresso líquido de R$ 21,5 bilhões no ano até novembro, sendo R$ 18,9 bilhões em FIPs. Por outro lado, os multimercados, com R$ 28,8 bilhões, e as ações, R$ 16,2 bilhões, lideraram os saques dos investidores em 2015.
No relatório, a Anbima notou também que o ambiente de incerteza teve impacto sobre as rentabilidades dos fundos. Até o dia 24 do mês passado, o Ibovespa tinha valorização de 5,27%, e os títulos de renda fixa de maior duração subiam cerca de 4%. Após a última semana de novembro, o benchmark encerrou com queda de 1,63%, e os títulos de renda fixa, com perdas de boa parte dos ganhos registrados até então – o IMA-B fechou o período com evolução de 1,03%, e o IRF-M, de 0,92%.