01-12-2015 – 16:47:41
O caso do Banco BTG Pactual, com a prisão de seu CEO, André Esteves, por envolvimento na Operação Lava Jato, pode gerar um contágio em outros ativos financeiros do mercado de capitais, admite Marcelo Mello, vice-presidente de investimentos, vida e previdência da Sulamérica. Ele lembra que, em momentos como o atual, no qual uma série de investidores realizam saques de fundos de uma gestora com posição relevante no mercado, os detentores dos papéis se veem obrigados a se desfazer de suas posições com uma velocidade maior do que a habitual. Esse movimento pode levar a um valor de venda abaixo do ideal, e eventualmente gerar uma reprecificação em outros ativos do mercado. “Não acho que isso vai acontencer, mas é um risco que existe”, disse Mello. Desde a prisão de André Esteves, na última quarta-feira, 25 de novembro, até ontem, as ações do BTG Pactual na Bovespa acumulam queda de 47,7%. No período, as ações do Banco do Brasil recuaram 14%, as do Bradesco caíram 9%, as do Santander perderam 6%, e as do Itaú cederam 5,5%. Nesse intervalo o Ibovespa caiu 7%.
Ainda assim, o vice-presidente da SulAmérica não acredita que o caso do BTG Pactual isoladamente tenha potencial para gerar reflexos expressivos em outros players do mercado. “O BTG Pactual tem conseguido prover liquidez aos investidores. Enxergamos com tranquilidade”, ponderou o vice-presidente da SulAmérica, durante encontro com a imprensa realizada nesta terça-feira, 1 de dezembro. A Sulamérica tem aproximadamente R$ 30 milhões em CDBs do BTG Pactual. Como são títulos de vencimento curto, para maio de 2016, e pela pouca expressividade do montante em relação à carteira total da gestora, que soma cerca de R$ 30 bilhões, Mello falou que não tem a intenção de se desfazer dos papéis, que serão levados até o vencimento.
Um levantamento da Economatica mostrou quais são as assets com as maiores exposições em CDBs e DPGEs que estão em fundos não exclusivos do Banco BTG Pactual e do BTG Pactual Serviços Financeiros DTVM. A asset do Banco do Brasil aparece como a mais exposta, com R$ 3,3 bilhões distribuídos em 29 fundos. A data base do levantamento é o dia 31 de outubro de 2015. A Caixa e a BRAM aparecem na sequência, com R$ 1,6 bilhão (em 23 fundos) e R$ 1 bilhão (em 42 fundos), respectivamente.
Recuperação – Embora as últimas semanas não tenham sido positivas para o mercado, Arthur Farme d’Amoed Neto, vice-presidente corporativo e de relações com investidores da Sulamérica, acredita que estamos atualmente em um período que pode representar o ápice da crise que o país vem atravessando. Ele nota que, devido à desaceleração da economia, os preços dos ativos já estão em patamares depreciados, o que vai fazer com que os investidores, no futuro próximo, voltem a procurar ativos que estejam com um valor de entrada convidativo. Esse movimento dos investidores, por sua vez, vai injetar dinheiro no mercado, o que pode ajudar também na própria recuperação da economia real. Farme espera que esse movimento de retomada tenha início a partir do segundo semestre de 2016. “O mercado não vai ficar parado”, pontuou o executivo.
Atualizado em 2/12/15, às 11h36