Cenário macro faz bancos estrangeiros reduzirem projeções para aç...

21-10-2015  –  15:49:36

 

Os cenários macroeconômicos doméstico, com retração do PIB e aumento do desemprego, e global, que teve a desaceleração chinesa como um dos drives dos mercados nas últimas semanas, levaram os bancos estrangeiros a reduzirem suas projeções para os ganhos de papéis da bolsa brasileira. O Bank of America Merrill Lynch, citando o cenário interno de retração do PIB e do consumo, e com aumento do desemprego, decidiu alterar de neutra para underperform (abaixo da média do mercado) sua recomendação para as ações das Lojas Americanas. Além disso, o banco também reduziu suas estimativas para os ganhos por ação (EPS) que a companhia deve entregar em 2015, que foi de R$ 0,38 para R$ 0,37. Para 2016, a redução foi ainda maior, de R$ 0,59 para R$ 0,43, queda de 27%.

“A demanda brasileira se deteriorou rapidamente, e o aumento do desemprego e a redução na confiança dos consumidores sugerem quedas adicionais à frente”, escrevem os analistas do BofA Robert Aguilar, Melissa Byun, Nicole Inui e Vinicius Saraiva. Embora as vendas das Lojas Americanas tenham apresentado resiliência até o momento, o enfraquecimento do consumo e avanço da inflação, na avaliação dos especialistas, indica um crescimento menor para a varejista, com margens mais limitadas.

Além das Lojas Americanas, a ação da Arezzo também teve uma revisão para baixo por parte dos analistas do banco americano. A recomendação do BofA para o papel da calçadista passou de compra para neutra, e a estimativa de ganho por ação foi de R$ 1,32 para R$ 1,29 em 2015, e de R$ 1,36 para R$ 1,26 em 2016. “A Arezzo aparenta ter compensado a contração geral verificada na indústria com incremento de seu market share. No entanto, o aumento do desemprego e quedas acentuadas na confiança dos consumidores, começam a entrar no radar”, escrevem os analistas, que esperam uma queda de 7% das vendas mesmas lojas da empresa no terceiro trimestre do ano, trajetória declinante que eles entendem que deve prosseguir em 2016. Devido ao cenário macro mais desafiador, os especialistas acreditam que o management da Arezzo deve adiar novas elevações nos preços de suas mercadorias, com o objetivo de ganhar market share.

O Citi, por sua vez, optou por reduzir seu preço-alvo para as ações da Weg, de R$ 20,50 para R$ 17,00. O banco lembra que a empresa apresentou um bom balanço, com mais de 50% de sua exposição ao mercado externo, o que o torna um ativo defensivo interessante  diante da recessão da economia brasileira. Ainda assim, os analistas do Citi Juan Tavarez  e Felipe Jiman Koh  escrevem que preferem manter a recomendação neutra para os papéis, por conta do valuation do ativo estar em um patamar considerado justo por eles, e pela falta de catalisadores que façam a ação subir. O ativo teve uma queda de quase 20% nos últimos três meses, o que praticamente anulou os ganhos do papel no acumulado do ano, destacam os especialistas. Esse movimento, segundo eles, decorreu de uma realização de lucros por parte dos investidores, e também devido aos ventos contrários vindo da desaceleração econômica chinesa.