30-09-2015 – 16:26:27
A Funcesp é a entidadee de previdência fechada que mais tem investimentos alocados no exterior, com cerca de R$ 400 milhões. Até por isso, as incertezas no front externo, como a desaceleração da economia chinesa, ganham importância no monitoramento de cenários feito pela fundação. “Literalmente ninguém sabe o quanto a China está crescendo”, pondera Jorge Simino, diretor de investimentos da Funcesp. O fundo de pensão conta com uma equipe de análise própria, que desde 1980 cruza os dados de produção de aço da China, que em 2015 apresenta evolução próxima de zero, com o crescimento do PIB do gigante asiático.
“A relação entre esses indicadores sempre foi de um pra um, e foi absolutamente rompida em 2015. Claro que os dados estatísticos não são uma cláusua pétrea da constituição, mas é estranho justo esse ano acontecer isso”, pondera Simino. “Se olharmos para os dois indicadores, chegamos à conclusão que o PIB chinês está crescendo cerca de 3%”. O último dado divulgado oficialmente pelo governo chinês apontou para uma expansão de 7,3% do PIB no segundo trimestre de 2015, acima das expectativas dos analistas de mercado, que esperavam uma taxa mais próxima dos 6%.
Devido à valorização cambial, o retorno dos investimentos no exterior tem sido a maior rentabilidade de toda a carteira da Funcesp nos últimos meses – quando a entidade iniciou as aplicações fora do país, a taxa de câmbio, que hoje opera próxima dos R$ 4,00, estava na casa dos R$ 2,30. “Na nossa opinião a taxa a R$ 2,30 estava fora do lugar, mas o problema é que a sucessão dos eventos foi muito mais virulenta do que se poderia imaginar, e de alguma orma produziu esse resultado que temos observado”, afirma o diretor. “Chegar a R$ 4,00 já foi uma surpresa, o que não significa que não podemos ter outras”, fala Simino.
Dólar tem terceira maior valorização trimestral na história do Plano Real
A taxa do dólar Ptax encerrou o mês de setembro a R$ 3,9727, o que corresponde a uma valorização na cotação da moeda americana de 28,05% no terceiro trimestre de 2015. Segundo levantamento realizado pela Economatica, trata-se da terceira maior valorização trimestral registrada desde a implementação do Plano Real, em 1994. As maiores valorizações para um trimestre ocorreram de janeiro a março de 1999, quando a divisa apreciou 42,47%, e de julho a setembro de 2002, quando o avanço foi de 36,93%. Em bases anuais, o avanço da moeda em 2015, até setembro, de 49,57%, só fica atrás da alta ocorrida em 2002, ano da eleição do presidente Lula, quando o aumento chegou a 52,27%.