24-09-2015 – 14:59:07
A nota de confiança de investidores globais em relação ao Brasil caiu de 3,13 em 2014 para 2,70 este ano, segundo estudo da Deloitte em parceria com a Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (Abvcap). O levantamento foi realizado entre maio e junho deste ano com 208 gestores de fundos de private equity e venture capital de 15 países, sendo 17 com atuação no Brasil.
Estados Unidos, Israel, Canadá e China ficaram com as melhores avaliações quanto à nota de confiança dos fundos globais para a realização de investimentos, enquanto o Brasil apresentou queda do 7º lugar para o a 9ª posição em termos de confiança. Segundo Reinaldo Grasson, sócio responsável pela estrutura de Corporate Finance Advisory (CFA) da Deloitte no Brasil, o estudo indicou que a confiança global caiu particularmente em toda a América Latina, enquanto investidores continuam mais positivos em relação a aplicações nos próprios países. “É o momento da economia. Fundos que não têm participação no Brasil e têm olhar lá de fora, acabam com uma confiança menor. Mas os que já estão investido aqui têm uma confiança um pouco maior por olhar para o mercado no médio e longo prazo”, explica.
Para Grasson, no longo prazo, existe uma perspectiva mais favorável para os investimentos, com principalmente com a taxa de cambio atual barateando o custo dos ativos brasileiros. “Para fundos que estão altamente capitalizados ou investidores que vêm de um mercado com moeda forte, os ativos brasileiros estão baratos. Há setores em que o movimento de fusões e aquisições continua aquecido, como o de alimentos, energia, tecnologia, saúde e educação”, salienta.
Do ponto de vista de fundos de private equity, os fundos estão atrás de bons ativos que sirvam de plataforma para comprar outras empresas, diz Grasson. “Muitas empresas familiares, fechadas, que antes eram mais reticentes a receber investidores, com a escassez e alto custo do crédito bancário e ausência de janela pra oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), fundos de private equity se tornam muito atrativos. Ao injetar capital, o fundo acaba favorecendo ou permitindo o crescimento orgânico da companhia”.
Rebaixamento – O estudo foi realizado antes do rebaixamento do rating do Brasil pela Standard and Poor’s, fazendo com que o país perdesse o grau de investimento, mas Grasson explica que o rebaixamento encareceu o crédito para empresas brasileiras, fazendo com que captar dinheiro lá fora custe mais caro. “Isso diminui o acesso ao exterior e muitos fundos de pensão estrangeiros não podem investir em países que são rebaixados por duas agências de risco. Portanto, caso a Moody’s ou a Fitch também rebaixem o Brasil, alguns investidores não poderão mais aplicar, diminuindo a capacidade de atração desse capital”.
Grasson diz ainda que com o rebaixamento, já houve um movimento de saída de títulos de renda fixa e até de renda variável em algumas carteiras, mas nada muito significativo. “Tem também a questão do investidor não entrar. Com um segundo rebaixamento, investidores não vão colocar dinheiro no país. Alguns mais conservadores já se anteciparam e repatriaram parte dos investimentos. Mas cada fundo tem sua percepção”, salienta.
Outros países – Na América Latina como um todo houve queda na confiança dos investidores. Grasson diz que países como Chile e Colômbia, contudo, ainda estão bem posicionados. Já o México é muito ligado à economia americana. “Na Europa, ao contrario do que imaginávamos, o índice de confiança deu uma recuperada. Estados Unidos, Canadá, China, Israel e Reino Unido foram países com aumento das notas”, diz o executivo.
Na China, mesmo com a desaceleração da economia, a confiança subiu. Segundo Grasson, Houve um pouco de economia chinesa para um patamar de crescimento mais sustentável em relação ao forte crescimento registrado no passado. “Esse crescimento muito forte casou um endividamento das empresas e s governos. O desafio da China, agora, é destravar consumo interno”, salienta.
Notas de confiança para investimentos nos países destacados
|
Países |
Notas |
|
|
2015 |
2014 |
|
|
Estados Unidos |
4,17 |
4,03 |
|
Israel |
3,90 |
3,71 |
|
Canadá |
3,60 |
3,48 |
|
China |
3,53 |
3,27 |
|
Reino Unido |
3,51 |
3,36 |
|
Índia |
3,31 |
3,08 |
|
Austrália |
3,19 |
3,22 |
|
Japão |
2,95 |
2,89 |
|
Brasil |
2,70 |
3,13 |
|
México |
2,43 |
n.a. |
|
Rússia |
1,82 |
n.a. |
|
Regiões |
|
|
|
América Latina |
2,51 |
2,76 |
|
Europa |
3,20 |
2,94 |
|
Sudeste Asiático |
3,24 |
3,31 |
Fonte: Deloitte