Captação em alta e retorno com ativos indexados ao IPCA elevam lu...

20-08-2015  –  11:50:45

 

A Brasilprev registrou um lucro líquido ajustado, que exclui efeitos extraordinários, de R$ 429 milhões no primeiro semestre de 2015, o que corresponde a um crescimento de 26,2% na comparação com igual período do ano passado. O desempenho, explica Nelson Katz, diretor de planejamento e controles da Brasilprev, está relacionado com o crescimento orgânico obtido pela Brasilprev no período – a arrecadação total cresceu 33,2% de janeiro a junho, na comparação anual, para R$ 19,3 bilhões, e a captação liquida teve uma evolução de 33,7%, para R$ 12,7 bilhões. “O mais importante para essa performance foi o crescimento orgânico através da captação líquida, que gera um aumento dos ativos administrados. Crescemos a captação e arrecadação acima dos 30%, e isso aparece no lucro”, explica Katz.

Outro motivo que ajudou para o crescimento do lucro está relacionado ao cenário econômico de inflação elevada. “Temos em carteira papéis atrelados ao IPCA, e quando a inflação está alta, também traz um impacto para o lucro líquido através do resultado financeiro”, diz o executivo. O ambiente macroeconômico de recessão do PIB com aumento do desemprego não trouxe impacto negativo para os resultados da Brasilprev durante o primeiro semestre. “Temos falado há vários anos na Brasilprev que fazer poupança de longo prazo não está atrelado ao cenário de curto prazo. Para formar uma poupança de longo prazo não importa o cenário. Poupar é muito mais importante do que o cenário econômico que estamos vivenciando”.

Embora o espaço da renda variável na previdência privada aberta seja bastante reduzido, o diretor da Brasilprev defende um leque maior disponível para alocação no segmento, com um aumento do percentual permitido para investir em bolsa, hoje em 49%, e mesmo para aplicar no exterior. “Hoje em dia os clientes não tem comprado exposição em renda variável, mas temos clientes jovens, somos líder no mercado júnior [para pessoas até 21 anos], que tem muito tempo para poupar, e por isso continuamos trabalhando para diversificar a carteira em produtos com uma relação risco retorno melhor”. A maior abrangência de ativos na indústria está em discussão na FenaPrevi, e Katz informa que não há uma previsão de quando as novas classes serão adotadas.

Redução dos resgates – Um outro destaque dos resultados da Brasilprev no primeiro semestre citado pelo diretor foi em relação aos resgates registrados de janeiro a junho. O índice de resgates, que mede os resgates totais dividido pelos ativos médios na base da companhia, foi de 9,2% em junho de 2015, contra 10,7% há um ano. Os resultados da Brasilprev no período, na ótica do executivo, ficaram dentro do esperado. Ele lembra que o guidance da BB Seguridade, coligada da Brasilprev na área de previdência, aponta para um crescimento entre 27% a 36% dos planos VGBL e PGBL em 2015; nos últimos 12 meses até junho, o incremento da Brasilprev foi de 38,7%, puxado pelos VGBL, que cresceram 35,8%, enquanto entre os PGBL o avanço foi de 5%. O plano VGBL, explica Katz, por ser voltado para os clientes que fazem a declaração do imposto de renda no modelo simplificado, tem a predominância de pessoas físicas, segmento que tem R$ 104 bilhões em ativos na Brasilprev, e que cresceu 37%. No PGBL o público empresarial tem maior espaço, e responde por R$ 9 bilhões, com incremento de 31%. O segmento júnior, para menores de 21 anos, cresceu 12%, para R$ 7,8 bilhões.

O incremento na base de ativos da Brasilprev, que foi de 35,5% de janeiro a junho, para R$ 132,9 bilhões, também se explica, comenta Katz, pelo desempenho da captação líquida. O especialista cita também a performance dos fundos como outra razão para o incremento, principalmente os de renda fixa, que concentram quase a totalidade da captação – as entradas em fundos de renda fixa no semestre atingiram R$ 12,7 bilhões, enquanto as nos fundos compostos, que podem ter até 49% de renda variável, o volume foi de apenas R$ 16 milhões. “Foi um semestre positivo, porque no período anterior houveram resgates nos fundos compostos, mas continua um número muito pequeno na Brasilprev”, admite o diretor.