BB Investimentos rebaixa recomendação do Santander e eleva do Ban...

28-07-2015  –  14:10:14

 

Às vésperas do início da divulgação dos resultados dos bancos no segundo trimestre, a BB Investimentos alterou sua recomendação para as ações do Santander e do Pine de ‘market perform’ para ‘underperform’ (desempenho abaixo da média do mercado). Para justificar a mudança, os analistas Mário Bernardes Junior e Carlos Daltozo apontam o ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) menor que o de seus pares, e o limitado potencial de valorização. No acumulado de 2015, as ações do Santander sobem 23%, enquanto as do Pine recuam 16%. No período a queda do Ibovespa é próxima de 1%. Ao mesmo tempo, a área de análise do BB alterou de ‘market perform’ para ‘outperfom’ (desempenho acima da média do mercado) sua recomendação para as ações do Banrisul, que têm queda superior aos 30% no ano. “Em nossa visão, o papel merece ser negociado mais próximo ao seu valor contábil”, escrevem os especialistas. Atualmente o papel do banco do RS opera a 0,6 de seu valor contábil.

Apesar de reconhecer os desafios à frente, Bernardes Junior e Daltozo ressaltam que seguem otimistas com os bancos em 2015, que eles acreditam ser um dos poucos setores com uma boa perspectiva de resultados. Os analistas esperam que os grandes bancos entreguem um crescimento do lucro na casa dos dois dígitos. A visão positiva é baseada no conservadorismo dos bancos na concessão de crédito, com o foco na qualidade dos ativos, e na reprecificação de carteiras de empréstimos com spreads mais elevados, que deve mais do que compensar o aumento das provisões. Eles citam ainda a melhora na eficiência, com um rigoroso controle de custos.

No entanto, os especialistas da BB Investimentos destacam também que, após os números de incremento dos empréstimos terem ficado mais próximos do piso estabelecido no primeiro trimestre,  revisões de guidance tendem a ocorrer nos anúncios do segundo trimestre. O recuo do PIB esperado para o ano, e a estratégia de manter a qualidade dos ativos em carteira deve levar os bancos a uma postura ainda mais cautelosa na concessão, preveem os analistas. O Itaú é uma exceção, pontuam, por já ter feito a revisão do guidance no primeiro trimestre. Ainda assim, eles acreditam que, mesmo após as revisões, os resultados do Itaú de abril a junho ficarão mais próximos ao piso do atual guidance.

A inadimplência dos bancos ao longo do segundo trimestre deve ter ficado praticamente estável, segundo Bernardes Junior e Daltozo, que, por outro lado, esperam por um aumento das provisões, devido à deterioração nos empréstimos corporativos. Nos últimos três trimestres, apontam os analistas, a carteira de empréstimos corporativos está “descendo ladeira abaixo” em termos de ratings de crédito, segundo a classificação do BC da Resolução 2.682. Os créditos classificados entre “AA” e “C” até o segundo trimestre de 2014 foram reclassificados entre “D” e “G” após esse período, e agora já estão chegando à letra “H”, que requer 100% de provisionamento.