Bridge desiste do FP1 e fundo volta para antigo gestor, Ricardo G...

25-06-2015  –  17:04:47

 

A Bridge Trust renunciou ao papel de gestora e administradora do Fundo Multimercado FP1, que vem apresentando problemas de liquidez em diversos ativos. A administração do veículo ficou com a Cabedal Investimentos. Já a gestão voltou às mãos de Ricardo Gonçalves. Desta vez, por meio de outra empresa da qual o executivo é sócio-fundador, a Urca Gestora de Ativos, localizada no centro do Rio de Janeiro. Em 2013, Gonçalves estava à frente do fundo por meio de sua gestora LHYNQZ, situada no Itaim Bibi, em São Paulo. Ambas as gestoras foram fundadas no mesmo ano, em 2008, pelo executivo. Gonçalves não foi localizado pela reportagem da InvestidorOnline até o fechamento desta nota.

A LHYNQZ era responsável pela gestão do FP1 há dois anos, renunciando após autuação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), em agosto de 2013. Na ocasião, o órgão regulador multou a gestora e Ricardo Gonçalves em R$ 500 mil, pois detectou “falta ou irregularidade na avaliação de rating das Cédulas de Crédito Bancário (CCBs)” de companhias em que o Fundo Roma – que teve uma parte incorporada ao FP1 – investia. 

No final de 2013, para evitar a liquidação do Roma, a parte de renda fixa do fundo foi incorporada pelo FP1 e esses ativos, considerados “podres” pelos cotistas do FP1, permanecem na carteira com prejuízos. São papéis das empresas Keepworking Participações, Muriel Indústria de Cosméticos e Sucos Brasil. Os papéis de renda variável do extinto Roma, por sua vez, foram incorporados pelo Roma FIA, fundo de ações que tem a LHYNQZ como gestora.

Desenquadramento – Segundo a InvestidorOnline apurou, a incorporação de parte do Roma pelo multimercado FP1, que foi seguida pela incorporação de outros três fundos, o FII RSB1, o FIP Alimentação e Varejo e o FI Arcádia, vem rendendo mais do que prejuízo financeiro aos regimes próprios cotistas.

No caso do regime próprio de São Gonçalo (RJ), a incorporação desses fundos pelo FP1 gerou um sério desenquadramento de ativos. O instituto, que detinha participação em todos esses fundos individualmente, ficou com 45% do patrimônio atrelado ao FP1. Por conta disso, o município perdeu o Certificado de Regularidade Previdenciária (CRP) e o instituto teve de recorrer à Justiça para desbloquear repasses do Comprev (compensação previdenciária garantida pela Lei nº 9796, de 1999).

“Já tentamos sair do FP1, mas fomos informados pela administradora do fundo que ele não tem liquidez suficiente para nos pagar”, diz Angelita Machado, diretora de investimentos do instituto de São Gonçalo. Ao todo, R$ 12,2 milhões do RPPS está aplicado no FP1. “Todos os meses estamos registrando baixas nesse fundo em nosso balanço. Os ativos que eram do Roma já demos como perdidos. O único papel que está dando retorno ao fundo hoje é o frigorífico da rede Porcão, da Brazil Foods Service Group (BFG)”, complementa.

Angelita explica que os restaurantes da rede Porcão continuam trazendo prejuízos à carteira, mas a tendência é de recuperação de parte das perdas ao longo do tempo. “Desde que o Vento Haragano assumiu as operações da BFG, os balanços atrasados da empresa foram enviados à CVM e há expectativa de levar os papéis à bolsa”, afirma. A BFG faz parte da carteira do FP1 por meio de um fundo recentemente criado apenas para abarcar esses papéis, o FP2 – cuja gestão foi mantida pela Bridge Trust.

Já outra empresa investida por meio do FP1, a CTESO, só tem gerado perdas ao fundo. “Desde o começo do ano o valor dos ativos passaram de R$ 12 milhões para R$ 9 milhões”, conta Angelita.

Institucionais – Segundo a InvestidorOnline apurou, pelo menos sete regimes próprios são cotistas do FP1, sendo que o de São Gonçalo é o que possui o maior nível de comprometimento do patrimônio líquido dentro do fundo (45%). O RPPS de Tocantins (Igeprev-TO) possui 9,9% de seu patrimônio investido no FP1, o equivalente a R$ 350 milhões. As aplicações do fundo multimercado estão entre os investimentos com problema no instituto que desencadearam em uma instauração de sindicância interna para apurar irregularidades na gestão financeira do Igeprev, além da formação de uma comissão na Assembleia Legislativa do estado.

Outros RPPS cotistas são os de Araçariguama (SP), que detém R$ 3,94 milhões aplicados (16,5% do PL do instituto); Santa Fé do Sul (SP), que possui R$ 3 milhões no fundo (13% do PL próprio); Paulínia (SP), com R$ 28,9 milhões investidos (3,5% do PL do ente); João Pessoa (PB), que aplicou R$ 2,12 milhões (3,5%) e Rio Grande do Norte, com R$ 6,1 milhões (0,97%).

Já entre os fundos de pensão, um cotista conhecido é o Serpros, que está sob intervenção da Previc para apuração de irregularidades na gestão. A fundação detém R$ 128,3 milhões dentro do fundo, o equivalente a 3,2% de seu patrimônio próprio.