Lava Jato gera escassez de ativos de crédito privado, diz diretor...

05-02-2015  –  13:58:41

 

A Fundação Sanepar (Fusan), até pelas fracas perspectivas para a bolsa brasileira no curto prazo, tem como foco neste primeiro semestre o mercado de renda fixa, e mais especificamente o de títulos públicos. O crédito privado também seria uma opção, não fosse pela escassez de boas opções no segmento devido aos efeitos da operação Lava Jato da Polícia Federal e da crise da Petrobras. “Não estão tendo títulos de crédito com prêmios muito bons. Com toda essa crise da Petrobras e das grandes empreiteiras está ocorrendo uma reprecificação no mercado”, afirma Antonio Lidio, gerente de investimentos e finanças da entidade. Os investidores, explica Lidio, estão receosos com um possível default de empresas que possam ter alguma relação com as companhias envolvidas na operação da PF, e com isso, “o mercado deu uma travada na parte de crédito”.

Além da Lava Jato, outro fator que afasta a Fusan do mercado de crédito privado no momento é o recente aumento dos prêmios oferecidos pelos títulos públicos. “Não está mal negócio os títulos públicos, na ponta longa estão acima de 6%, em torno de 6,10%, 6,15%, tem subido nos últimos dias”, pondera o gerente da fundação.

A elevação da curva de juros futuros também tem levado a Fusan a adiar o início de seus investimentos no exterior. “Por esse prêmio que está sendo pago na renda fixa, tem que avaliar bem se vale a pena o risco de fazer alguma coisa lá fora”. A entidade já tem aprovado um limite de até 10% para aplicar no exterior, dentro de um PL na casa de R$ 1,5 bilhão.

Bolsa

Na renda variável, a entidade já diminuiu sua exposição à bolsa de 13% para 10% ao longo de 2014, com uma redução principalmente da carteira passiva atrelada ao Ibovespa. E novos cortes devem ocorrer em 2015, mas para que isso ocorra, a bolsa precisa subir um pouco, para que o fundo não realize prejuízo. O nível ao redor dos 52 mil pontos é considerado interessante pela Fusan para fazer uma nova venda de ações. Hoje a bolsa roda na casa dos 49,5 mil pontos – para alcançar os 52 mil, precisa valorizar 5%. “No primeiro semestre a gente não acredita nisso, mas se as medidas começarem a surtir efeito e mostrarem que pode haver uma melhora em 2016, talvez a bolsa antecipe alguma coisa”.

Inflação

No ano passado, a Fusan atingiu 97% da meta atuarial, com uma rentabilidade consolidada de 11,96%, contra 12,34% do INPC mais 5,75%. A inflação alta, que encerrou 2014 em 6,41%, corroeu boa parte da rentabilidade, e influenciou para que a entidade ficasse um pouco abaixo da meta. Para 2015, o aumento dos preços novamente será um obstáculo a ser vencido, e talvez ainda maior do que foi em 2014, já que no Focus, os economistas ouvidos pelo Banco Central (BC) esperam que o IPCA encerre 2015 em 7,01%. “Vai ser bem mais difícil bater a meta do que em 2014, mas não podemos perder a esperança”, diz Lidio.