18-12-2014 – 15:50:24
A Fundação Refer está estudando uma solução para resolver o desenquadramento de sua carteira de imóveis. A carteira representa cerca de 25% de seu patrimônio, bem acima do limite de 8% permitido pela Resolução 3792. O desenquadramento ocorreu de maneira passiva, já que os imóveis da entidade, em sua maioria shoppings centers, tiveram uma valorização bem mais expressiva do que a renda variável e a renda fixa nos últimos anos.
Silvio Araújo, coordenador de investimentos do fundo de pensão, explica que a entidade tem uma dívida de R$ 2,7 bilhões para receber (valor que já supera a carteira atual de investimentos da fundação, de R$ 2,4 bilhões), que era devida pela Rede Ferroviária Federal (RFFSA), antiga patrocinadora da fundação, que já está extinta.
A dívida ocorreu por conta de pagamentos que a patrocinadora não fez ao fundo de pensão. Como a antiga patrocinadora não existe mais, a União assumiu o compromisso e irá fazer o pagamento, em títulos públicos federais. Ainda não há data certa para o início do pagamento. “Já era para ter sido paga. Se a dívida sair há tempo, voltaremos a nos enquadrar devido à diluição, mas se não sair, vamos ter de vender participação em shoppings, que não era nosso objetivo”, pontua Araújo.
A Refer deve fechar o ano de 2014 ligeiramente acima de sua meta atuarial, de INPC mais 5,75%, e a principal contribuição veio justamente da carteira de imóveis. “Não queríamos vender pela rentabilidade, e pelo pagamento que recebemos todo mês”. Em termos de geração de caixa, os shoppings que a fundação têm em carteira pagam cerca de 10% da receita de vendas ao ano em média.