15-12-2014 – 17:25:03
O fundo de pensão SarahPrev, patrocinado pela Rede Sarah (hospitais), aprovou há duas semanas sua política de investimentos para 2015, e a principal mudança em relação a 2014 foi a redução da duration da carteira de renda fixa. O motivo principal é a previsão que as melhores oportunidades estarão em títulos de prazos mais curtos. Na montagem da carteira de renda fixa do ano que vem, a divisão está da seguinte forma: 40% no CDI, 40% no IMA B 5, e 20% no IMA B 5+.
Na política de investimentos para 2014, a divisão estava em 30% no CDI, 25% no IMA B 5, 30% no IMA B Geral, e 15% no IMA B 5+. “O IMA B Geral tem uma parcela relevante do IMA B 5+, então aqueles 30% do IMA B Geral traziam mais um pedaço do IMA B 5+ para nossa carteira”, explica Juliano Sartório, diretor financeiro da SarahPrev. “Com a nova configuração buscamos reduzir a volatilidade, e dar mais foco para o IMA B abaixo de cinco anos”.
A leitura da entidade de que os juros serão mais atrativos em títulos de prazo menor está relacionada com o aumento na intensidade do aperto por parte do Copom, diz Sartório — o atual aperto foi iniciado em 29 de outubro com uma alta de 0,25 pp, e na reunião seguinte, em 3 de dezembro, a Selic foi elevada em 0,50 pp.
Além da mudança na parte de renda fixa, outra novidade da SarahPrev em sua política de investimentos para 2015 será o início dos empréstimos aos participantes, por uma demanda dos participantes da entidade, em um limite de até 8%. “Talvez não consiga atingir 8% em 2015, vai depender de que mês começa, deve ser abril ou maio”, diz Juliano Sartório. Questões operacionais e de adequação do sistema ainda precisam ser finalizadas.
Além disso, a fundação, que tem 0,2% do PL de R$ 1,1 bilhão alocado no exterior, em um fundo do Itaú, o Fof Multi Global Equities. E já analisa outro fundo no exterior para investir, o que pode elevar o percentual alocado para 0,5% no começo do ano que vem. A diferença para o atual fundo investido é uma exposição maior ao mercado acionário europeu.
A dinâmica mais dura da autoridade monetária na condução da Selic nos próximos meses foi corroborada nesta segunda-feira (15/12) pelo boletim Focus – a projeção dos economistas ouvidos para o Focus aponta agora para uma alta de 0,50 ponto percentual na Selic em janeiro, com mais uma de 0,25 pp em março.
Volatilidade em alta
Apesar da mudança adotada por fundos de pensão como o SarahPrev, a redução da duration deveria ser realizada com moderação. Essa é a opinião do gestor de renda fixa da Mongeral Aegon Investimentos (MAI), Marco Brill, que não recomenda uma grande concentração dos investidores na ponta curta da curva não deve ocorrer, principalmente ao longo do primeiro semestre de 2015. “É ruim se posicionar na taxa de juros de curto prazo quando o BC está no meio do ciclo”.
O mercado, diferentemente do Focus, explica Brill, está precificando a Selic em 13% ao final de 2015, e, com isso, os prêmios pagos atualmente pelos ativos que vencem em 2016 estão no maior nível desde 2011. “Se o investidor olhar o número bruto, é muito atrativo, mas pode ter uma volatilidade bem alta no curto prazo”, pondera o especialista.
Por esperar uma volatilidade alta nos primeiros meses do ano que vem, a estratégia de renda fixa na Mongeral tem sido de fazer poucas operações, e com bastante agilidade tanto na hora de entrar como de sair das posições. “O mercado está muito rápido, na nossa opinião é vantajoso ficar na parte curta, mas o risco é significativo”, diz Brill.