Colegas de assets ressaltam pulso firme e convicção de ideias de ...

27-11-2014  –  17:25:52

 

Uma das características mais ressaltadas por colegas da indústria de assets em relação ao novo Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, é o pulso firme e a defesa de ideias próprias. São atributos vistos como positivos e necessários para o novo chefe da equipe econômica do governo Dilma Rousseff. “O Levy tem a cabeça de um engenheiro, tem ideias próprias e vai a fundo em tudo o que faz”, diz Fábio Masetti, superintendente comercial da Bram (Bradesco Asset Management), que trabalhou com Levy nos últimos quatro anos.

O executivo acredita que Levy, que tem a formação de engenharia naval, dará uma importante contribuição para o novo governo. “É o perfil que o novo governo está precisando e que o mercado estava esperando”, diz Masetti. Ele ressalta ainda a grande capacidade de trabalho do profissional, que procurava se aprofundar em todos os temas de interesse de trabalho na asset. “Ele procura formar ideias próprias dos principais assuntos e para mudar de posição, tem que ser convencido”, diz o superintendente comercial.

O mercado recebeu muito bem a confirmação do nome de Levy para a Fazenda. Uma das leituras é que o executivo representa uma grande mudança em relação à atual equipe econômica, mais subordinada às orientações da presidente Dilma. “Ele não vai aceitar qualquer coisa da presidente. É bom que exista um certo atrito, pois precisa de alguém para fechar o cofre”, diz uma fonte do mercado, que pediu para não ser identificada.

Uma das missões centrais da nova equipe é a recuperação do equilíbrio fiscal, e neste ponto, Levy também é visto como uma pessoa capaz de cortar os gastos. “O problema central não é a política monetária, mas sim a política fiscal. E o Levy é um especialista que consegue encontrar onde os gastos podem ser cortados”, diz Eduardo Yuki, economista-chefe do BNP Paribas Asset Management. Ele explica que era necessário nomear uma pessoa com a “mão firme” para cortar os gastos públicos.

Investimentos estrangeiros

Outro ponto ressaltado por profissionais de assets é o impulso aos investimentos estrangeiros e a internacionalização do mercado de capitais doméstico que Joaquim Levy sempre procurou fomentar, desde quanto foi secretário do Tesouro Nacional, no primeiro mandato do ex-presidente Lula, entre 2003 e 2006. “Quando estava no Tesouro Nacional, Levy foi um dos responsáveis pela regulação que passou a isentar os investidores estrangeiros do pagamento de Imposto de Renda sobre aplicações em títulos públicos”, diz Flávio Gonçalves Almeida, da BB DTVM. Ele se refere às regras definidas pela Medida Provisória 281, de 2006.

Neste sentido, o novo ministro deve ter condições de incentivar e atrair um maior volume de recursos externos para o mercado de capitais doméstico. Ainda quando foi secretário do Tesouro Nacional, Levy foi também um dos responsáveis pelo impulso na colocação de títulos públicos brasileiros no exterior. “Levy participou da estruturação das primeiras emissões de títulos públicos no exterior em reais”, diz Almeida.

Na mesma linha de ação, Levy procurou abrir espaço para a internacionalização do mercado de assets, enquanto atuava pela Bram. Ele foi o idealizador de um dos primeiros fundos de BDRs (Brazilian Depositary Recepts), que são ativos negociados na bolsa doméstica mas atrelados às empresas americanas. Em seguida, a Bram lançou também uma série de fundos globais, de América Latina, Europa e Australásia (Ásia e Oceania), com ações de empresas estrangeiras.

A Revista Investidor Institucional publicou uma entrevista exclusiva com Joaquim Levy na última edição, número 265, de novembro de 2014, que começou a circular poucos dias antes de seu nome ser cotado como Ministro da Fazenda. Leia na íntegra.