14-11-2014 – 16:24:34
O economista Nelson Barbosa negou ter recebido convite do Planalto para assumir o ministério da Fazenda no segundo mandato de Dilma Rousseff. “Estou dedicado ao meu trabalho na Fundação Getulio Vargas e decidi que não vou alimentar boatos. Não vou falar sobre o que não existe. A escolha do ministro é somente da presidente. Apoiei sua reeleição e acredito que ela fará um ótimo segundo mandato”, afirmou durante o 35º Congresso dos Fundos de Pensão, promovido pela Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), em São Paulo.
“O governo Dilma pegou uma situação internacional e climática desfavorável no primeiro mandato. Teve um processo de aprendizado em algumas áreas e, apesar de todas as dificuldades, conseguiu manter uma economia gerando empregos, beneficiando a maioria da população brasileira”, ressaltou.
Barbosa destacou que o segundo mandato será marcado pelo desafio de retomar o ciclo de crescimento da economia, reajustando as políticas à nova realidade nacional e internacional. “Será preciso levar inflação para o centro da meta, recuperar a capacidade fiscal do governo, fomentar investimentos e dar continuidade à agenda de inclusão social”, disse, sem detalhar quais medidas deverão ser tomadas para que estes objetivos sejam atingidos.
Ajuste fiscal
O economista reforçou que em ano de crescimento próximo de zero, o resultado fiscal tende a ser mais fraco, mas que o importante, no momento, é indicar para o mercado que há uma intenção de retomada gradual do superávit. “Sempre queremos o maior superávit possível, mas ele é conseqüência do nível de atividade da economia. Independentemente do número a ser alcançado neste e no próximo ano, o que precisa ser sinalizado pelo governo é que ele quer recuperar a trajetória fiscal de longo prazo, de estabilidade”, afirmou. “É consenso até entre a oposição que a recuperação do superávit deverá ser gradual”, complementou.
A única certeza, segundo Barbosa, é que o resultado primário de 2015 será melhor que o deste ano. “A variação será positiva, mas em que nível não dá para prever”, disse.