10-11-2014 – 14:45:37
Estudo do Insper realizado em parceria com a Spectra Investments, com uma amostra de e 556 transações de private equity e venture capital realizadas entre 1982 a 2014 no Brasil, representando US$ 22,1 bilhões investidos, aponta que a taxa média de retorno médio sobre o investimento, em dólares, das transações efetuadas de private equity foi de 34%. A pesquisa foi apresentada durante o 1º Congresso de Venture Capital, realizado pela Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (Abvcap) nesta segunda-feira, 10, em São Paulo.
Apesar do resultado positivo, os investidores vêm questionando a viabilidade de se realizar investimentos de tão alto risco. Por conta do grande risco das transações de private equity (PE) e venture capital (VC), para ocorrer um bom desempenho nessas atividades seria preciso ter na carteira transações com retornos excepcionais, o que seria uma média de crescimento cinco vezes ou mais que o valor investido. Medindo pelo múltiplo do capital investido, 39,1% das transações de venture capital e 14,8% das de private equity tiveram um múltiplo do capital investido igual a zero, ou seja, com desempenho fraco ou até com prejuízo, e 30,4% das PE e 26,4% das VC tiveram crescimento entre 1 e 2,5 vezes o valor investido.
Maurício Marcellini, conselheiro da Abvcap e diretor de investimentos da Funcef, destacou que investir nessa indústria foi uma das formas que a fundação encontrou de garantir aos participantes retornos acima da meta atuarial. “Em 2005, resolvemos diversificar investimentos e ir para estruturados. Naquele ano, nossa primeira safra de investimentos foi de R$ 150 milhões comprometidos para seis fundos, que hoje estão quase todos desinvestidos”, diz o executivo. Já em 2010, a Funcef investiu em apenas mais dois fundos, e no ano passado outros dois, tendo retornos entre 12% e 13% com essa carteira. “É a resposta que precisávamos para os participantes”.
Para o executivo, o grande desafio da indústria de PE e VC é bater a taxa de juros do país, além da legislação que avalia a solvência de um fundo de pensão a cada três anos, inibindo investimentos de longo prazo como private equity, que pode durar dez anos. “Para fomentar essa indústria também é preciso de certo trabalho educativo com fundações para que elas vejam as vantagens desses investimentos”, complementa o executivo.
Além disso, Marcellini destaca a questão da precificação, que é um limitador principalmente para planos de contribuição definida (CD) e contribuição variável (CV). “As políticas de investimentos alternativos olha o ciclo de investimento e o desinvestimento. Os gestores devem ficar atentos, pois as fundações precisam ter caixa para o participante. Precificação e saída dos investimentos são importantes discussões”, salienta.
Venture Capital
Venture capital está em uma etapa de desenvolvimento anterior a PE, obtendo um retorno real sobre o investimento médio em dólares de 11%. Contudo, a amostra captura um período em que é mais difícil uma boa transação ter novos rounds de investimentos. Muitos fundos vendem empresas antes de capturar o crescimento das mesmas. Além disso, há o aparecimento de melhores empreendedores e gestores, e a atração de investidores e fundos internacionais, o que se desenvolveu ainda mais a partir de 2010, período em que a amostra não captura dados especificamente para venture capital.
Crescimento
Diante dos desafios, estudo do Centro de Estudos de Private Equity e Venture Capital da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (GVcepe) divulgado na semana passada mostra dados otimistas para os próximos anos. De acordo com o estudo, o capital comprometido pelos PE e venture capital VC deve apresentar um crescimento médio de 17% ao ano até 2016 e alcançar 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. O estudo diz ainda que os fundos de private equity e venture capital aplicaram no país, entre 2010 e 2013, cerca de US$ 7,6 bilhões ao ano.