28-10-2014 – 14:42:50
O presidente da FenaPrevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Seguros), Osvaldo Nascimento, disse nesta terça-feira (28/10) que o setor está “alinhado com os compromissos” assumidos pela presidente Dilma Rousseff para contribuir para a retomada do crescimento do país. Entretanto, ele ressaltou que, para isso, algumas condições são “imprescindíveis”: estabilidade econômica, estabilidade do poder de compra (inflação dentro da meta) e regras estáveis. No ano passado, o governo alterou as regras de investimento na previdência privada com o intuito de fomentar as aplicações de longo prazo, e com isso alongar sua própria dívida.
O executivo lembrou também o papel central que a política fiscal terá de ter nos próximos anos para que o país possa ter a estabilidade necessária para que volte a crescer. “O resultado das eleições mostrou um país dividido”, afirmou Nascimento, durante o Fórum Nacional de Seguro de Vida e Previdência Privada, e lembrou ainda que um dos destaques assumidos pela presidente Dilma para os próximos quatro anos é uma maior abertura para o diálogo com os diversos agentes do mercado.
Oportunidades
Por sua vez, Paulo Rogério Caffarelli, Secretário Executivo do Ministério da Fazenda, destacou o ambiente internacional ainda adverso, com desaceleração da China, países em recessão na Europa, e politica monetária não convencional nos Estados Unios. Apesar do cenário, Caffarelli ponderou que o Brasil conseguiu manter seus fundamentos nos últimos anos, com reservas cambiais de US$ 377 bilhões, uma dívida líquida de 35,9% do PIB, e um IED de US$ 66 bilhões em 2014, e com pleno emprego. “O investidor estrangeiro continua acreditando no Brasil”, pontuou o Secretário. “Temos muitos desafios, mas muito mais oportunidades”.
No tocante às oportunidades, Caffarelli fez referência ao setor de previdência privada, uma vez que, nos próximos oito anos, pelas contas do executivo, o Brasil necessitará de R$ 1,5 trilhão na infraestrutura, sendo boa parte desse montante financiado pelo BNDES. Ainda assim, como o banco público não será capaz de abraçar todo o portfólio que a infraestrutura brasileira necessitará, o Secretário destacou que o “grande ator na revolução da infraestrutura será o mercado de capitais”, com a participação da poupança interna do país.
Caffarelli, que antes de assumir o cargo no governo, em fevereiro, era vice-presidente do Banco do Brasil (especula-se que ele pode retornar ao banco para assumir sua presidência, com a possível saída de Aldemir Bendine), lembrou que o setor de seguros e previdência representava 2,7% do PIB brasileiro em 2003, e agora esse percentulal subiu para perto de 4%. Para exemplificar o espaço que ainda tem para crescer, ele lembrou que no Canadá esse percentual é de 6,9%, e de 12,6% na Holanda.
Boa parte dos produtos de previdência privada, destacou o Secretário, é negociada dentro das agências bancárias, sendo que as receitas das instituições financeiras estão hoje calcadas basicamente na intermediação financeira, que responde por 65% de seus resultados totais, com os produtos e serviços com 30%, e 5% de captação. Com a provável queda na taxa de juros no médio prazo, a tendência, pondera Caffarelli, é que a intermediação financeira perca espaço em detrimento aos produtos e serviços. “Os bancos estão ávidos para reforçar sua carteira de produtos. Essa é uma parceria que tem tudo para dar certo”.
Produtos
Em relação aos novos produtos, Roberto Westenberger, superintendente da Susep (Superintendência de Seguros Privados), destacou o trabalho que tem sido feito no laboratório de produtos da autarquia, justamente para fomentar esse ‘gap’ que tem ocorrido nas prateleiras do segmento previdenciário.
De seis produtos hoje em análise, três são com o foco na previdência, destacou o superintendendente – o VGBL Saúde, o Universal Life (a venda de um seguro de vida em conjunto com um plano de previdência), e, para as entidades fechadas, o reseguro contra o risco de longevidade. Westenberger ressaltou que, em sua visão, o mercado de seguros não teve ainda uma interação suficientemente compatível com o tamanho dos fundos de pensão brasileiros.
Armando Vergílio, presidente da Fenacor (Federação Nacional dos Corretores de Seguros Privados), e Deputado Federal (SD – GO), lembrou que propôs o Projeto de Lei 7052, que regulamente o VGBL Saúde, e que aguarda ainda para esse ano sua aprovação. “Trata-se de um produto que deu grande impulso ao mercado americano, e inclusive contribui para a desoneração do Estado”, ponderou Vergílio, que concorreu como vice-governador de Goiás no pleito de outubro, mas, junto com Iris Rezende (PMDB), perdeu a disputa para Marconi Perillo (PSDB). De 2007 a 2010 Vergílio foi superintendente da Susep.
Os dois grandes desafios para sua entidade, destacou o presidente da Fenacor, são a criação de produtos de maior apelo – “o VGBL não tem atratividade ao corretor de seguros” – e uma massificação da distribuição, que hoje é feita pelos 70 mil corretores que atuam no país.