Crise de confiança afetou crescimento dos Fidcs, diz Bastos da CV...

21-08-2014  –  18:32:23

 

 

Durante o primeiro encontro da Associação Nacional de Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios, que ocorreu nesta quinta-feira, 21, em São Paulo, foram apresentados dados que mostram que a indústria de securitização ainda é incipiente e precisa reconquistar a confiança do investidor para retomar seu crescimento.  

De acordo com dados da Comissão de Valores Mobiliários, o patrimônio líquido dos Fidcs obteve taxa composta crescimento anual de crescimento contínua na faixa de 32% de 2006 até 2008. Com a crise, essa taxa caiu para 20% e desde então oscila nessa faixa, tendo crescido apenas 17% em 2013. Atualmente, o patrimônio líquido dos Fidcs é de cerca de R$ 50 bilhões, e a CVM estima que o número cresça para R$ 182 bilhões até 2023.

O superintendente de relações com investidores institucionais da CVM, Francisco Bastos, notou durante sua apresentação que, no período de 2008 a 2013, a taxa de crescimento do crédito no país foi maior que a dos Fidcs, e que essa modalidade de fundos cresce menos que todos os outros produtos estruturados. Bastos ressaltou que o contexto de problemas com bancos como Panamericano ou Cruzeiro do Sul, entre outros, influenciaram o cenário, mas que os mercados usualmente não calculam o risco de fraudes, o que podem minar a confiança dos investidores.

“A partir disso, tivemos a alteração da instrução nº 531, visando melhor governança e mitigação dos conflitos de interesses, melhor definição do papel dos participantes que atuam na gestão, administração e custódia dos Fidcs, e a redução do risco de fungibilidade”, disse Bastos.

Em outra apresentação durante o evento, a Standard&Poor’s (S&P) também destacou a relevância da avaliação da influência dos participantes na operação. Leandro de Albuquerque destacou que a instrução 531 foi boa para o mercado, mas não eliminou todos os riscos da indústria. Na classificação de rating da S&P é avaliada a qualidade dos créditos dos ativos (nível de inadimplência esperado), a possibilidade de recuperação dos créditos além de histórico da carteira e a perspectiva de estresse.

“A S&P mudou a metodologia de avaliação de riscos operacionais. A metodologia global parte de classificação dos participantes da operação, tanto o participante administrativo quanto aquele que afeta o desempenho da operação (gestor de crédito, consultor, banco, etc.)”, explicou Albuquerque.