Indústria de fundos tem menor captação no 1º semestre desde 2002

04-07-2014  –  11:50:54

 

 

A indústria de fundos de investimento registrou uma captação líquida de R$ 1,937 bilhão de janeiro a junho deste ano, o que corresponde ao menor resultado desde o primeiro semestre de 2002, quando o mercado estava receoso em saber como seria o mandato do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em igual período do ano passado, a captação totalizou R$ 103,59 bilhões. “Acho difícil, um desafio enorme para a indústria igualar 2013. De fato o primeiro semestre do ano pasado foi atípico, é a mesma coisa querer um time fazendo 10 gols todos os jogos, fazer quatro cinco é um bom número”, disse Carlos Takahashi, vice-presidente da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), durante teleconferência com jornalistas.

Entre as categorias de fundos, a de renda fixa foi a que teve o maior resgate, de R$ 23,78 bilhões, seguida pelos multimercados, com saídas de R$ 14,78 bilhões. Por outro lado, o Referenciado DI foi a categoria de fundo com a maior captação, de 24,54 bilhões, com os de curto prazo em segundo, com entradas de R$ 11,98 bilhões.

Se considerarmos a rentabilidade do semestre, o IMA-B ficou na liderança, com ganhos de 9,52%, à frente da categoria renda fixa índices, que entregou retorno de 7,55%. Em seguida, aparecem os multimercados com estratégia específica, que renderam 6,97%.

Muito do que aconteceu em 2013 foi carregado para 2014”, afirmou Takahashi, ao observar que as categorias de renda fixa foram as que tiveram os maiores saques, mas também as rentabilidades mais expressivas. “Fica a pergunta se o investidor continua fazendo seus investimentos em função do que aconteceu no passado, ainda que seja um passado bem presente”, pondera o executivo. “Percebemos claramente uma fuga do investidor para produtos de curto prazo, ele estava mais preocupado com a manutenção da liquidez nos seus investimentos”.

Na divisão por tipo de investidor, o corporate realizou o maior saque nos seis primeiros meses do ano, de R$ 21,36 bilhões. Na sequência aparecem os fundos de pensão, que retiraram R$ 4,88 bilhões da indústria no período. “Parece que temos um dever de casa bastante grande para fazer no campo da educação financeira no sentido de um planejamento mais largo – em função desse comportamento, onde a rentabilidade passada parece ter influenciado bastante o investidor – para ele não entrar no mercado na alta e sair na baixa, cristalizando um prejuízo que poderia ser evitado”, pondera Takahashi.

“Muitos fundos de pensão ainda tem uma visão mais de curto prazo, apesar de o negócio ser de longo prazo. É um segmento que gosta muito de trabalhar com avaliações comparativas, e a estratégia de longo prazo acaba ficando em segundo plano, e a de curto prazo ganha uma dimensão maior do que deveria”.