10-10-2013 – 17:31:41
“A demanda dos institucionais por FIDCs continua em alta, o que falta são produtos”, diz o diretor da Integral Investimentos, Bruno Amadei. Segundo ele, o mercado vive um momento de baixa originação de operações, reflexo de uma economia com taxas de crescimento baixas, entre 2% a 2,5% ao ano, na qual as empresas não precisam de dinheiro para investir. “Sem necessidade de capital elas não tem porque originar novas operações, esfriando um pouco o mercado dos fundos de recebíveis”, explica Amadei.
Apesar disso ele está otimista, principalmente com as oportunidades que devem surgir a partir das obras de infraestrutura, cujos agentes precisarão antecipar receitas através de FIDCs. “Para coisas boas os institucionais estão olhando, nós aqui na Integral gostaríamos de ter mais produtos para oferecer, a demanda é boa”.
Segundo ele, o mercado de FIDCs esteve parado até junho deste ano por conta das novas regras que estavam em debate pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Entre outras coisas, a CVM estudava exigir a posse física dos papéis representativos das operações que lastreavam os FIDCs, o que inviabilizaria muitos negócios. Fundos de recebíveis com lastro em operações de venda de automóveis, por exemplo, com milhares de cedentes, teriam que guardar a documentação de todos esses contratos no custodiante.
As duras exigências do órgão controlador foram uma resposta às operações inconsistentes realizadas com esse tipo de instrumento por bancos como Cruzeiro do Sul e BVA, que resultaram em prejuízos para o mercado. Mas após um processo de discussão, novas rodadas de negociações foram abertas e a instrução da CVM foi flexibilizada de forma a tornar possível a guarda só dos registros eletrônicos das operações, em substituição à sua guarda física.
O prazo para que os fundos em funcionamento adaptem-se às novas regras termina em fevereiro do ano que vem. A partir daí, custodiantes vão ter que manter, pelo menos, os registros eletrônicos da operações. “O mercado está se ajustando, alguns fundos que já estão em fase final vão ser liquidados, outros vão se adaptar às novas regras para continuar existindo”, diz Amadei.