18-09-2013 – 16:17:00
Responsável pela divisão de asset management da PwC (PricewaterhouseCoopers), João Santos participou do Brazilian Alternative Investments Seminar 2013, organizado por sua empresa no hotel Renaissance, em São Paulo, na última terça-feira (17). Speaker em algumas das mesas organizadas, Santos conversou com o Investidor Online sobre o evento, a autorregulação da Anbima (Associação Brasileira das Entidades de Mercado Financeiro e de Capitais) – tema de uma das palestras – , o programa de concessões do Governo Federal e investimentos no exterior e no Brasil.
Para o executivo, o objetivo do seminário é passar aos clientes e ao mercado os principais acontecimentos e desafios na área de investimentos alternativos, abordando, por exemplo, questões tributárias e regulatórias. “Sempre trazemos para este evento nossos sócios, que coordenam a prestação de serviços a clientes locais, e multinacionais para que a gente possa passar para o investidor e o gestor brasileiro quais são as principais novidades”, declarou. “Do outro lado, para os investidores do exterior que aqui também estão representados, ajudá-los a ter uma visão mais ampla do nosso mercado, das oportunidades, do ambiente regulatório e tributário”.
Sobre esses investidores de fora do país, Santos afirmou que o Brasil está preparado para receber seus investimentos com segurança e transparência: “a indústria é muito bem regulada, com sistemas muito bem amarrados. Em alguns aspectos muito melhores que indústrias mais maduras que a nossa. A própria Fitch reconheceu isso. Os assets brasileiros entram no rating na escala global porque ela reconhece que a infraestrutura e o mercado brasileiro, tanto no ponto de vista tecnológico quanto regulatório, são dos mais sofisticados do mundo”.
Autorregulação
Participante da palestra “autorregulação na indústria de asset management”, João Santos elogiou a atuação da Anbima e a colocou como um dos pontos primordiais para a boa atuação da indústria de asset management. “Estamos muito bem aparelhados. A Anbima faz um trabalho extenso, apoia o mercado, evita situações que possam de uma forma geral comprometer o mercado ou um produto em especial. [A associação] tem efetivamente o mandato de autorregulador do próprio regulador, que é a CVM [Comissão de Valores Mobiliários], em uma conexão muito alinhada e afinada”, apontou. “Hoje no Brasil é difícil você ser um gestor, um administrador que não cumpra os best practices, os guidances que a Anbima determina para cada segmento ou produto e isso é um fator de credibilidade fundamental”.
Investimentos no exterior
O entrevistado também comentou sobre investimentos realizados no exterior por fundos e investidores brasileiros, tema recorrente nos últimos meses devido ao desempenho fraco da Bolsa de Valores e da renda fixa, que, segundo ele, é algo que os gestores “estão olhando”. “Porque no final do dia, com os rendimentos em renda fixa minguando, obviamente diversificação e novas alternativas de investimento vão efetivamente rentabilizar esses investimentos, cumprir metas atuariais e criar valor pro investidor”, disse.
“O que norteia o investidor é a capacidade de identificar bons investimentos e que possam gerar bons retornos”. Entre os países citados com muitas oportunidades de investimento estão o Peru, segundo Santos, “um país que está com um processo bastante acelerado de crescimento da economia, assim como a Colômbia”, e países desenvolvidos como a Espanha e os Estados Unidos.
“Se você olhar hoje, provavelmente alguns países da Europa têm muitas boas oportunidades, porque houve uma depreciação muito grande dos ativos e obviamente isso, cedo ou tarde, já vem acontecendo em um ritmo muito lento, eles vão retomar seu curso de valorização. Então, quem tem apetite por investimentos, visão de longo prazo e recursos para investir seguramente consegue boas oportunidades em países não necessariamente emergentes”, argumentou.
Infraestrutura
Entretanto, Santos destacou que ainda há muito a ser investido no país, citando a área de infraestrutura. Perguntado sobre o programa de concessões realizado pelo Governo Federal, visto por alguns com desconfiança, o executivo deu um voto de confiança em relação ao programa. “Esse processo está sendo conduzido de forma responsável, de forma bastante aprofundada, mas estamos em um processo nítido de aprendizado.”