09-09-2013 – 16:34:57
As dificuldades das fundações em gerir uma grande quantidade de capital, para participantes das mais diversas idades e formações, têm levado a um movimento no qual os fundos de pensão deixam para os contribuintes a decisão de onde alocar seu patrimônio acumulado, com a adoção dos perfis de investimento diferenciados.
Nem todos os trabalhadores, entretanto, possuem conhecimento suficiente para tomar uma decisão consciente do que é melhor para seu momento de vida, admite José de Souza Mendonça, presidente da Abrapp (Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar). “Acho cruel dar para o participante a tomada de decisão”, disse o executivo, durante o 34° Congresso Brasileiro dos Fundos de Pensão (Abrapp), que começou nesta segunda-feira (9) e vai até a próxima quarta-feira (11), em Florianópolis (SC).
Mesmo entre aqueles que têm formação, ou cargo, que denotariam maior propriedade para fazer escolhas certas em momentos difíceis, nem sempre a calma é uma virtude compartilhada por todos.
“No curto prazo vemos muitos técnicos de fundos de pensão se apavorando. Quando foi feita a Resolução [3.792] se falava muito em superávit, e o déficit foi visto como uma necessidade de apagar o incêndio, mas o déficit não é incêndio, é a possibilidade do incêndio no futuro. Temos que ficar acalmando as pessoas imediatistas”, pontuou José Ribeiro Pena Neto, vice-presidente da Abrapp.
Além disso, por mais qualificado que seja o gestor, erros acontecem, como foi o caso das empresas X, do empresário Eike Batista, que tiveram ações compradas por alguns fundos de pensão, como o Postalis, dos Correios.
“Muitas empresas que se deram mal sinalizavam muito antes que se dariam mal. Se alguém investiu nas ações já sabia, ou deveria saber””, ponderou Mendonça. O presidente da Abrapp lembrou do caso do Banco Santos, em 2004, quando as grandes instituições financeiras sabiam do que ocorria com seu par, e impediram que suas fundações tivessem perdas com os ativos provenientes do mesmo.
Novas alternativas
Com o mercado financeiro adverso, os executivos da Abrapp foram questionados sobre quais são as saídas para os fundos de pensão. O presidente da casa, entretanto, preferiu desviar a pergunta para as assets, ainda que tenha timidamente transparecido que o caminho está nos títulos privados.
“Temos que cobrar alternativas do mercado, quem vai criar produtos não somos nós. Os títulos privados vão começar a ganhar corpo, mas é o mercado que vai preparar”, afirmou Mendonça.