Infraestrutura não oferece segurança suficiente, diz Abrapp

09-09-2013- 15:35:56

 

Com os mercados tradicionais de atuação dos fundos de pensão – renda fixa e renda variável – sem poder de fogo para entregar resultados suficientes que façam frente às metas atuariais, outras alternativas começam a ser prospectadas pelos diretores de investimento espalhados por todo território nacional.

 

Entre as opções que aparentemente são as que têm a maior chance de serem uma opção efetiva para as fundações no curto e médio prazo, despontam o investimento no exterior, e, até pela urgente necessidade do país, as grandes obras de infraestrutura.

 

No entanto, essa segunda possibilidade não é vista com bons olhos pelo presidente da Abrapp (Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar), José de Souza Mendonça.

 

“Os fundos de pensão têm de aplicar no baixo risco, o aposentado não tem condições de sofrer perdas e esperar o tempo passar para recuperar. Aplicar em infraestrutura é alto risco. Não sei se a rentabilidade que vão oferecer vale o risco”, pontuou Mendonça, durante coletiva de imprensa ocorrida nesta segunda-feira (9), no 34° Congresso Brasileiro dos Fundos de Pensão, que acontece em Florianópolis (SC).

 

Investimentos rodoviários 

Para exemplificar a razão de sua descrença, Mendonça citou as estradas, que já no final do mês de setembro darão início ao grande ciclo de leilões planejado pelo governo. O pedágio é a principal maneira de se obter retornos com os investimentos rodoviários, mas nada garante, ressaltou o presidente da Abrapp, que daqui alguns meses, quando as reformas das vias estiverem em andamento, o governo não vai mudar as regras do jogo.

 

“Não enxergo a possibilidade de investimento na infraestrutura, não vejo segurança. Na hora que precisam do dinheiro, prometem tudo, mas na hora de pagar…”, falou o executivo sem completar a frase, deixando clara sua falta de confiança no cumprimento dos contratos por parte do Planalto.

 

“Nos preocupa muito a segurança jurídica dos contratos”, reiterou Fernando Pimentel, presidente do Conselho Deliberativo da Abrapp.

 

As fundações que sinalizam para a possibilidade de fazer esse tipo de investimento, na avaliação de Mendonça, estão pressionadas por razões políticas a fazê-lo, e nem sempre reflete um desejo autêntico dos gestores.

 

Cálculos rápidos feitos pelos executivos da associação apontaram para um portentoso valor de R$ 12 bilhões potenciais que poderiam ser investidos pelas fundações nas obras de infraestrutura do país, se houvesse a segurança necessária, ou desejada.