Edição 287
Enquanto o mercado de ETFs já apresentou alguma evolução no mercado brasileiro de institucionais nos últimos anos, com cerca de 10% da carteira das fundações com estratégias passivas por meio dos fundos de índices, o conceito do smart beta ainda é pouco conhecido dos investidores locais. A revista Investidor Institucional promoveu um seminário em Brasília com fundos de pensão locais e gestores especialistas nos instrumentos financeiros para que os investidores brasileiros começem a se familiarizar cada vez mais com esses produtos.
Rodrigo Araújo, diretor da BlackRock, explica que o modelo mais tradicional de gestão passiva se baseia na metodologia de capitalização de mercado, enquanto o smart beta utiliza uma metodologia de fatores de risco, como valor, qualidade, momento, volatilidade e liquidez, entre outros. “O smart beta é uma forma de fazer com que a parcela passiva da gestão do portfólio seja mais eficiente”, afirma Araújo. O especialista nota que é comum nos mercados mais desenvolvidos investidores adotarem a metodologia baseada em fatores de risco para complementar a estratégia passiva por capitalização de mercado em suas carteiras. “O smart beta nada mais é do que a constituição de um índice cuja metodologia segue alguns fatores de risco”.
A BM&FBovespa oferece hoje em sua grade cinco índices smart beta voltados ao mercado brasileiro de renda variável, em uma parceria entre a bolsa brasileira e a provedora de índices S&P firmada em maio de 2015. “No Brasil é um mercado que ainda não decolou, mas tem um potencial grande”, afirma Claudio Jacob, diretor Internacional e de desenvolvimento de mercados e clientes da BM&FBovespa , que entende que o momento macroeconômico do país, com a fuga dos investidores da bolsa nos últimos anos, contribuiu para que o smart beta ainda não tenha tido uma grande adesão.
Fernando Lifsic, diretor do FTSE Group para América Latina, diz que uma tendência que tem começado a ganhar força no mercado de smart beta nos Estados Unidos e na Europa é a combinação do modelo de fatores com os critérios socioambientais, que ganham cada vez mais espaço nas carteiras dos institucionais munda afora. Pelas estimativas citadas por Lifsic, o mercado global de smart beta movimenta atualmente cerca de US$ 500 bilhões. Apesar de ser um montante considerável, ainda está distante da liquidez dos ETFs, que de acordo com o especialista giram US$ 3 trilhões na mão dos investidores globais.
ETFs – Em relação aos ETFs, Lifsic, do FTSE Group, aponta que, nos mercados desenvolvidos, produtos de investimento que no passado eram considerados estratégias ativas agora são instrumentos passivos que replicam o modelo de gestão ativa. Como exemplo ele cita um ETF do JP Morgan. “Eles transformaram o processo de investimento deles em um manual de regras, e isso virou um ETF, que é muito mais barato do que se o investidor contratasse essa estratégia antes”.
Lucas Schmidt, consultor da Mercer, avalia que, embora o BOVA11, que replica o Ibovespa, seja o mais lembrado, já existe hoje no Brasil uma gama relativamente ampla de ETFs disponível ao investidor local. “Nesses casos os produtos cumprem bem seu papel que é entregar o índice”, pontua o especialista. Para os clientes que vão em busca dos fundos de índices, a recomendação dada pelos consultores, explica Schmidt, é de fazer uma gestão casada, com uma parcela passiva por meio dos ETFs, mas também com uma posição ativa, por meio dos fundos de valor por exemplo, para não perder eventuais oportunidades do mercado. Entre os clientes institucionais da Mercer, Schmidt estima que aproximadamente 10% já utilizam ETFs em suas carteiras. Em relação ao smart beta, no entanto, o consultor admite que, se houver, é residual a participação do conceito entre os investidores locais.
Sobre o aguardado ETF de renda fixa, Claudio Jacob, da BM&Fbovespa, explica que a regulamentação e a parte operacional no que diz respeito à própria bolsa brasileira já estão prontas para receberem o produto. O que falta agora são os emissores e gestores levarem à bolsa a proposta de lançar um ETF de renda fixa ao mercado, pontua o executivo.