Quebra do SVB impacta fundações | Fundos de pensão dos mais difer...

Edição 354

Mais recente “cisne negro” do mercado global, a quebra do Banco do Vale do Silício em 10 de março, que tinha mais de US$ 200 bilhões em ativos, contaminou o setor bancário global e impactou ao menos cinco fundos de pensão nos Estados Unidos, além de fundos de previdência de outros países. Na Suécia, o Alecta, maior fundação previdenciária do país, afirmou ter aportes no SVB, assim como o maior fundo de pensão da Holanda, APB. Do outro lado do globo, na Coreia do Sul, o serviço nacional de pensões também anunciou possíveis perdas.
Conhecido por seu foco em startups, o Silicon Valley Bank era um dos 20 maiores bancos comerciais dos EUA. Com a alta dos juros chegando a quase 4,75% no país e a redução dos investimentos em estratégias de venture capital, as startups passaram a pedir resgates de suas aplicações no banco. Como o SVB tinha grande parte da carteira em títulos do Tesouro, adquiridos nas mínimas históricas, parte teve que ser vendida com prejuízo para honrar os saques dos clientes.
A quebra do banco precedeu um anúncio de uma liquidação de US$ 21 bilhões em títulos, com US$ 1,8 bi de prejuízo, deflagrando uma corrida ao SVB, que ficou insolvente, mas recebeu intervenção dos órgãos reguladores que garantiram o pagamento aos credores. “O sistema bancário está seguro”, anunciou o presidente americano, Joe Biden. Dois dias depois, foi também anunciada uma linha de liquidez aos bancos, de forma a amenizar a contaminação no setor, o que não evitou a quebra do banco focado em cripto Signature, de Nova Iorque, no mesmo dia, e a maior baixa nas ações do banco Credit Suisse.

Nos EUA, ao menos cinco fundos de pensão anunciaram perdas com a derrocada desses bancos. Na Califórnia, a Calpers, entidade que representa os funcionários públicos da Califórnia, anunciou um impacto negativo de ao menos US$ 78 milhões em seu portfólio, uma pequena fração dos mais de US$ 440 bilhões em ativos relatados no último ano.
“No portfólio de investimentos, os ativos em risco são uma pequena porcentagem dos ativos sob gestão”, disse Nicole Musicco, dirigente da fundação, de acordo com registros da imprensa estrangeira. “Um tumulto e um fim de semana selvagem, enquanto os bancos se desfaziam de seus papéis desses bancos, provou a resiliência e a transparência da instituição previdenciária”, afirmou.
Outro fundo do estado, CalSTRS, maior representante previdenciário dos professores do país, afirmou ter um total de US$ 11 milhões no SVB, de um portfólio total de US$ 311 bilhões.
No Colorado, o Pera, fundo dos funcionários públicos do estado, afirmou ter US$ 12,5 milhões aplicados no SVB. O volume de ativos do fundo é de US$ 56,2 bilhões. Em Ohio, o STRS, fundo dos professores do estado, alocou US$ 27 milhões, de seus US$ 100 bilhões, em ações do SVB. No Arizona, o fundo de aposentadoria ASRS informou ter US$ 3,8 milhões no banco, de um total de US$ 50 bilhões em assets.
Mundo afora, o Alecta, maior fundo de pensão da Suécia, foi um dos players previdenciários mais afetados pela quebra, até o momento. A fundação indicou pelo menos 1% de exposição somada em ambos bancos, o SVB e o Signature, o que representa US$ 1,1 bilhão de seu portfólio total de US$ 104 bilhões. O fundo tinha US$ 848 milhões investidos no SVB, e outros US$ 282 milhões no Signature.
“Obviamente, o que aconteceu na semana passada é um grande fracasso para nós como investidores”, disse o dirigente do Alecta, Magnus Billing à Bloomberg. “Precisamos aprender algo com isso e agir com base nas lições aprendidas”, concluiu.

Uma das estratégias questionadas da Alecta é o fato do fundo ter diminuído aportes em bancos mais conservadores, como o Svenska Handelsbanken, maior banco do país, para investir em startups e bancos focados em criptoativos nos Estados Unidos. Segundo ele, o aporte foi feito pela posição de liderança dos EUA na transformação digital.
Em relação aos participantes dos planos, Billing afirmou que o sistema previdenciário sueco é “muito robusto”, e que os aportes nos bancos quebrados não vai ter repercussão nos benefícios concedidos aos integrantes do fundo: “Do ponto de vista do participante, isso não terá nenhum impacto material. Isso não afetará as pensões que temos contratadas com nossos participantes”, disse.
O impacto da quebra bancária também chegou à Ásia. O NPS, serviço nacional de pensões da Coreia do Sul, terceiro maior fundo de pensão público do mundo, com US$ 800 bilhões em ativos, afirmou ter US$ 23,2 milhões investidos no banco norte-americano.