Edição 274
Devido a um cenário econômico que se demonstra pior que o projetado inicialmente, a Funcef aprovou a revisão da política de investimentos de 2015, na qual reduz ainda mais a exposição em renda variável e os fundos de participações (Fips), e amplia o limite de aplicações e renda fixa. Segundo Mauricio Marcellini, quando a política foi aprovada no fim do ano passado, a expectativa de recuperação do país era outra. “Estimávamos um crescimento do PIB de 1,36%, e hoje trabalhamos com queda de 1,5%. Na Selic, projetávamos que chegasse a 12,5%, mas ela foi revista pra 14,25%. Com a aceleração da inflação, da taxa de juros e a depreciação do PIB, já vínhamos ajustando nossa estratégia de alocação”, explica Marcellini.
Na execução da política do primeiro semestre, a fundação focou em renda fixa, próximos do limite superior estabelecido no início do ano, e reduziu aplicações em ativos atrelados ao desenvolvimento econômico. “Outro ponto é que, em estruturados, tivemos algumas revisões de investimentos e desinvestimentos. Os investimentos foram mais acelerados e os desinvestimentos não vieram na mesma velocidade, gerando um impacto negativo de R$ 700 milhões na fundação”, salienta o executivo.
Redução – Por conta disso, na revisão da política, os planos mais antigos, que não recebem mais contribuição, tiveram aumento de 46% para 49% no limite para alocação em renda fixa e queda de 29,1% para 26,7% no limite em renda variável. Em estruturados, a redução foi de 13,4% para 11,3%. Já nos planos mais novos, a renda fixa subiu de 49% para 55%, a renda variável caiu de 22% para 21,4% e estruturados foi de 12,7% para 11,2%.
“No plano jovem, recebo R$ 100 milhões de contribuições por mês, então consigo direcionar maior alocação em renda fixa”, diz Marcellini. Outra questão desse plano, explica o executivo, é que a fundação trabalhava com uma expectativa de resgates por aposentados acima do que ocorreu no primeiro semestre. Com isso, toda a liquidez que foi formada com base nessa expectativa terá que ser revertida com aplicações em ativos atrelados à Selic.
“A Caixa tinha uma expectativa de 10 mil empregados elegíveis pra se aposentar. Para evitar um grande impacto no plano, trabalhamos com um cenário de estresse em que 80% dos possíveis aposentados resgatariam 100% de seus recursos no plano. Para cobrir isso, aumentamos a liquidez do plano na carteira de renda fixa. Contudo, o resgate foi abaixo das previsões, na ordem de 45% a 50%. Hoje essa estratégia foi redirecionada a investimentos em Selic”, explica Marcellini.
Meta atuarial – Marcellini diz que 2015 tem sido um ano bastante difícil para as fundações, principalmente com a aceleração da inflação, o que dificulta o cumprimento da meta atuarial. Segundo dados divulgados pela fundação, em maio o plano REG/Replan saldado ficou em 4,14%, contra a meta de 8,43%. Já o plano REG/Replan não saldado encerrou o período com 2,97% de retorno diante de uma meta de 8,45%. Ambos são da modalidade de benefício definido.
O plano de contribuição variável (CV) REB registrou 3,78% de rentabilidade até maio, enquanto sua meta ficou em 8,39%. O Novo Plano, da mesma modalidade, encerrou o período com 2,87% de retorno frente à meta de 8,43%. “No primeiro semestre, tivemos uma inflação atuarial de 9,87% contra uma bolsa de 6,15% e um CDI também no patamar de 6%, segundo dados de junho”, diz.
O executivo enxerga que a aceleração da inflação traz um desafio adicional para cumprir a meta atuarial em 2015. “No segundo semestre, com o agravamento da crise econômica, política e institucional, fomos afetados com a queda da bolsa, ao mesmo tempo em que os juros permanecem em patamares elevados”, complementa Marcellini.