Tudo pronto para o lançamento do Banco Alfa

Edição 56

A mais nova marca do sistema financeiro está apenas aguardando o sinal
verde do Banco Central para ser lançada

Está tudo pronto para o lançamento do Banco Alfa, o nome que Aloysio
Faria, o ex-dono do Banco Real, adotou para sua nova instituição. Ao
vender o Real para o ABN Amro, em julho do ano passado, Faria reservou
para si uma parte dos negócios do grupo, que incluía o banco de
investimentos, a financeira, a empresa de leasing e a corretora. Agora,
juntamente com uma seguradora que ele terminou de criar, esse núcleo
financeiro passa a adotar a marca Alfa.
O anúncio público da nova marca está na dependência do OK do Banco
Central. A expectativa era que o BC desse o sinal verde no início de maio,
até porque o prazo dado pelo ABN para que Faria continuasse usando o
nome do Real nesses negócios expirou em 30 de abril. “Está tudo certo, a
autorização do BC deve sair nos próximos dias”, explicou Antonio Cesar
Costa, diretor comercial do banco de investimentos, que passará a ser
denominado Banco Alfa de Investimentos.
As outras unidades serão rebatizadas como Financeira Alfa, Alfa
Arrendamento Mercantil, Alfa Corretora de Câmbio e Valores Mobiliários e
Alfa Seguros e Previdência. “Só não vamos atuar no varejo, que deixou de
ser nosso business”, explica Costa. Apesar disso, o Banco Alfa estará
abrindo 5 agências até o final do ano, nas cidades de São Paulo, Rio de
Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba e Campinas, para atender empresas e
pessoas físicas com renda mínima de R$ 4 mil.
De acordo com Costa, o banco de investimentos contará com três áreas de
negócios: asset management; financiamento à instituições e grandes
empresas; e corporate finance (operações de underwrite, operações com
recursos externos, fusões e aquisições e repasse de financiamentos de
instituições oficiais como BNDES, entre outras). O forte, porém, deverá ser
concentrado na primeira área, de administração de recursos de terceiros.
Essa área já começa com R$ 1,5 bilhão em recursos administrados, dos
quais R$ 550 milhões de investidores institucionais, R$ 700 milhões de
clientes private e R$ 250 milhões de fundos de ações do varejo que não
foram repassados ao ABN (só foram repassados os fundos de renda fixa).
A expectatica de Costa é que os recursos de institucionais cheguem aos
R$ 900 milhões até o final do ano, incluindo fundos e carteiras
administradas. “Estamos preparando novos produtos para esse tipo de
cliente, principalmente em termos de FACs e fundos exclusivos”, diz.
Sua avaliação é que, com exceção de algumas poucas fundações
vinculadas a empresas estatais, todas os outras estão aumentando a
terceirização da gestão dos seus recursos. Como as taxas cobradas pelas
empresas de asset já são, hoje, totalmente compatíveis com as cobradas
nos Estados Unidos e Europa, isso incentiva a terceirização. “A não ser
para uma ou outra fundação de estatal, com volumes muito elevados,
terceirizar a gestão tornou-se mais barato que manter uma equipe
própria”, diz.
Além do crescimento vegetativo do volume de recursos, uma vez que a
maioria dos fundos de pensão brasileiros ainda está em uma fase de
acumulação de poupança, os recursos tendem a aumentar também pela
criação dos novos fundos de pensão de estados e municípios. “Queremos
crescer no segmento, tanto em termos de volume de recursos
administrados quanto em termos de participação de mercado”, explica
Costa.

Equipe mantida – A área de asset, que era tocada por Julius Buchenrod no
Banco Real de Investimentos, continuará sob o seu comando no Banco
Alfa de Investimentos. Além dele, praticamente toda a equipe que atuava
no Real na área de administração de recursos foi mantida, garantindo
assim a continuidade da gestão. Hoje, a área de asset engloba cerca de
60 pessoas, sem contar o back-office da operação, que soma outras 15
pessoas do banco. A custódia, atualmente dividida entre o Real e o
Bradesco, deve mudar de mãos.
A área de recursos de terceiros é segregada através da figura de um
diretor responsável, mas está sendo estudada a possibilidade de se criar
uma empresa independente de administração. A decisão, porém, ainda
não está tomada. A pergunta da diretoria é, em que isso poderia ajudar?
Na prática, a Chinese Wall já vigora desde a época do Banco Real, onde
tanto os recursos das coligadas quanto do sócio controlador eram
administrados pela tesouraria e não pela área de recursos de terceiros.
Com a mudança de marca, a separação continua, agora inclusive por força
de normatização do Banco Central.
“A política do grupo é não colocar dinheiro do acionista ou das suas
empresas nos fundos do banco”, afirma Costa. “Da mesma forma, os
papéis de outras empresas que colocamos nos fundos são apenas
aqueles que compraríamos para as nossas próprias empresas”.

Ativos – O grupo de 4 empresas que não foi vendido ao ABN, e que agora
está sendo lançado como grupo Alfa, possui ativos de R$ 2,779 bilhões,
patrimônio líquido de R$ 685 milhões e apresentou um lucro líquido de R$
101 milhões no exercício de 98. Possui cerca de 500 funcionários nas
empresas financeiras (agora incluindo a quinta empresa, uma
seguradora), sem contar as áreas de apoio como tecnologia, marketing e
auditoria, com o que pode dobrar esse número.
Há pouco menos de 1 mês a Atlantic Rating classificou o Banco Alfa como
AA, que representa um crédito muito bom. A Lopes Filho soltou sua
avaliação mais recentemente, classificando o banco como “baixo risco
para médio prazo”. Agora, a empresa inglêsa Fitch IBCA está fazendo o
seu rating, que deve sair nas próximas semanas. “Somos uma instituição
conservadora, temos um baixíssimo nível de alavancagem”, explica Costa.