CEF cria asset e vai terceirizar a administração dos seus fundos

Edição 41

A Caixa Econômica Federal é a maior administradora de recursos de renda
fixa, com R$ 24,1 bilhões nesse tipo de ativo

A Caixa Econômica Federal é a maior administradora de recursos de renda
fixa, com R$ 24,1 bilhões nesse tipo de ativo. Em segundo lugar vem a BB
DTVM, com R$ 22,6 bilhões, e a seguir o Bradesco, com R$ 18,9 bilhões. A
maior parte dos recursos administrados pela Caixa, que abriu
recentemente sua área de recursos de terceiros, provém da sua extensa
rede de distribuição, a qual inclui 2 mil agências e 6,7 mil pontos de
loteria (que vendem produtos da rede, como títulos de capitalização, por
exemplo).
Até pouco tempo atrás a Caixa não tinha uma área específica para
administração de recursos de terceiros. Porém, com a exigência do Banco
Central de separar a área de administração de recursos de terceiros da
tesouraria das instituições, a Caixa criou sua asset. Ela vai funcionar em
São Paulo, no edifício do CEF, na Avenida Paulista. O terceiro andar desse
edifício já está sendo remodelado para atender à equipe de 52 pessoas,
que administrará o patrimônio de R$ 24,3 bilhões, dos quais R$ 10,1
bilhões em fundos de investimento (com 400 mil cotistas).
Para dirigir a área foi escalado Vinícius Braga Rodrigues, um carioca que
vive em São Paulo desde 1994. Ele é o mais novo diretor da Caixa,
nomeado em 1º de julho, e também o único que fica fora de Brasília, sede
da Caixa. “Tínhamos uma marca boa e uma rede capilarizada,
precisávamos da área de gestão de recursos para montar o tripé”, explica
Rodrigues.
A criação da área de asset vinha sendo pensada desde meados do ano
passado, quando a indústria de fundos não deixava mais dúvida sobre o
seu futuro promissor. “Os nossos clientes, que estavam mais voltados
para a poupança, começaram a demandar produtos mais sofisticados”,
explica Rodrigues.
O primeiro passo da Caixa foi transferir a administração dos fundos para
São Paulo, o que se concretizou em 03 de outubro do ano passado. O
desafio seguinte era desenvolver novos produtos sem ter que investir
pesado na montagem de uma estrutura de gestão, que a Caixa não tinha.
Contratar profissionais experientes do mercado, nem pensar. “Não
poderíamos pagar os salários do mercado e, além disso, por lei temos
que fazer concursos”, esclarece Rodrigues. Como instituição pública, o
orçamento do banco para investimentos é limitado.
A solução encontrada foi criar FACs, os fundos de aplicação em cotas de
outros fundos, aproveitando assim a pesquisa e seleção de ativos dos
outros gestores de recursos e gastando pouco. “Os bons administradores
de recursos têm uma estrutura de research sofisticadas. Nós não temos
como investir nisso”.
Entretanto, era necessário ter critérios para selecionar e avaliar os fundos
e comprar suas cotas. Depois da crise da Ásia, no final de outubro, essa
necessidade ficou ainda mais evidente. “A Caixa é uma instituição que
tem uma confiabilidade muito grande, prestamos contas para os clientes e
para o governo”, frisa Rodrigues.
Para isso, foi contratada a Fipecafi – Fundação Instituto de Pesquisas
Contábeis Atuariais e Financeiras da USP, que desenvolveu uma
modelagem de seleção de fundos e administradores para a Caixa.
Segundo Marcelo Bonini, gerente da área de análise da Fipecafi, o
trabalho se baseia no levantamento de informações quantitativas e
qualitativas.

Cálculo – “Temos um modelo matemático que calcula vários índices dos
fundos, como sharpe e outros. Depois, fazemos uma due diligence
(entrevista) com os administradores, e vemos se o que ele está dizendo
corresponde com o que os números dizem”, explica. Ele informa ainda
que um dos requisitos desse levantamento é a abertura da carteira dos
administradores.
Da triagem inicial ficaram 12 bancos: IBT, Garantia, BCN Alliance, Graphus,
BBM, BBA, Pactual, Opportunity, Icatu, Patrimônio, CCF e Bozano,
Simonsen. Mas, de acordo com Bonini, o número e os gestores poderão
mudar. “Não vamos trabalhar com um número muito grande de fundos,
porque isso complica demais, mas o número de fundos, assim como os
administradores, pode variar”, diz. “Temos um modelo matemático de
alocação de ativos, que é quem vai dar a melhor composição de fundos
em cada momento, de acordo com a nossa estratégia”.
O acordo com os administradores selecionados pela Fipecafi inclui a
transferência de tecnologia para a Caixa. “Nosso pessoal está aprendendo
muito com esses gestores”, acrescenta Rodrigues.
A implantação da modelagem de seleção e alocação de fundos terminou
em junho e já deu seu primeiro fruto. Em 1º de julho, foi lançado o
primeiro FAC com essa modelagem, o Caixa Personal, para o mercado
corporate. Com a meta de render um pouco mais que o CDI, esse fundo
captou, até a metade de agosto, R$ 52 milhões.
Agora, está sendo preparado o lançamento de vários FACs, com diferentes
perfis, para o varejo. A Caixa já administrava um FAC para o varejo, o
Caixa FAC 1, que tem patrimônio de R$ 3,184 bilhões.