23-04-2015 – 12:37:27
Os financiamentos para projetos de longo prazo voltados para a infraestrutura totalizaram R$ 8,4 bilhões em 2014, o que representa uma queda de 58% em relação aos R$ 19,8 bilhões de 2013, de acordo com os dados divulgados nesta quinta-feira (23/4) pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Já o número de projetos financiados aumentou, de 51 em 2013 para 58 no ano passado. Além do montante financiado via emissão de dívidas, em 2014 outros R$ 3,9 bilhões foram investidos com capital próprio, contra R$ 11,4 bilhões no ano anterior.
“Tiveram influência na queda do volume de financiamentos os eventos atípicos do ano, como a Copa do Mundo, as eleições e principalmente a crise política, a qual afetou particularmente os fechamentos de financiamentos do BNDES no último trimestre do ano – período no qual tipicamente se concentra o maior volume de financiamentos”, diz Sergio Heumann, coordenador do subcomitê de financiamento de projetos da Anbima, em comunicado. Os financiamentos a projetos de longo prazo com a participação do banco de fomento caíram de 75,8% em 2013 para 57% em 2014. O mercado de capitais, por sua vez, viu sua participação aumentar de 8,4% para 30%, atingindo o maior percentual desde 2010, quando foi de 32,1%.
O maior projeto do ano passado foi o do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, que teve um financiamento de R$ 1,8 bilhão; seguido pelo Porto Sudesde, com R$ 991 milhões, e pelo Porto do Açu, com R$ 750 milhões. “O fato dos três maiores projetos serem de transporte e logística reflete a relevância que o setor tem ganhado desde 2010, apesar do setor de energia ainda receber o maior volume de financiamentos”, afirma Heumann. Em termos de volume, o setor de transporte e logística amealhou 35,3% dos financiamentos em 2014, e o de energia, 58,1%. O maior financiamento para um projeto de infraestrutura voltado ao setor elétrico no ano passado foi na Matrinchã Transmissora de Energia, com R$ 691,4 milhões.
Além disso, em 2014 foram assinados 103 contratos de concessão, maior número da série histórica, que tinha alcançado o recorde anterior em 2012, com 75 contratos. Os 103 contratos devem gerar um investimento de aproximadamente R$ 63,8 bilhões.