Economista-chefe da Bram acredita em retomada do PIB em 2016

17-04-2015  –  12:28:04

 

O economista-chefe da Bradesco Asset Management (Bram), Fernando Honorato Barbosa, acredita que a economia brasileira deve passar por um processo de recuperação mais intensa para o próximo ano que as previsões médias do mercado. A previsão da Bram é de crescimento do PIB de 1,5% para 2016, com uma inflação de 5,5%. Para 2015, a previsão aponta para um crescimento negativo de 0,8% do PIB, e inflação de 8,0%.

Em apresentação realizada em seminário da Abrapp, ocorrido em São Paulo nesta quinta-feira, 16 de abril, o economista defendeu as medidas de ajuste fiscal e a política monetária da equipe de governo, comandada pelo Ministro da Fazenda, Joaquim Levy. “Não estou defendendo porque o Levy era meu chefe na Bram até alguns meses atrás, mas porque são as medidas corretas a se tomar neste momento. A equipe econômica está atacando os pontos certos”, disse Barbosa.

Levy comandou a Bram até novembro do ano passado, quando foi escolhido como Ministro da Fazenda do segundo mandato de Dilma Rousseff. A favor da recuperação da atividade econômica, o economista da Bram pontuou que o cenário mundial está dando um tempo adicional para o trabalho da atual equipe econômica. “O Federal Reserve [FED] está dando uma colher de chá, deu um alívio, com a demora em voltar a aumentar as taxas de juros”, disse Barbosa. Ele acredita que o atraso na retomada do ciclo de abertura de juros na economia americana abre uma janela para que as medidas de ajuste fiscal e controle da inflação possam dar resultado mais rápido.

Honorato Barbosa ressaltou, porém, que o processo de desaceleração da economia brasileira ainda não chegou ao final e que a pressão inflacionária ainda deve se manter alta nos próximos meses. “Acho que vamos chegar ao fundo do poço por volta de agosto ou setembro. A partir daí, vamos voltar a crescer. Não será um crescimento acelerado, mas vamos começar a reverter a tendência negativa”, disse.

Ele lembrou de momentos de crise como em 1999 e 2002, quando ocorreram fenômenos semelhantes de deterioração na economia, mas que também abriu espaço para ações corretas da equipe econômica naquelas duas oportunidades. O resultado é que nos anos seguintes a essas crises, houve retomada da confiança e do crescimento do PIB. “Em 1999 e 2002, assim como agora, foram realizados ajustes corretos, o que permitiu uma retomada do crescimento e a queda da inflação”, lembrou Barbosa.

Infraestrutura e juros

Para a retomada do crescimento, o economista da Bram acredita que é necessário o aumento dos investimentos em infraestrutura. “É preciso destravar a infraestrutura e a atual equipe econômica tem capacidade de fazer isso”, conta. Para isso, ele acredita no desenvolvimento de ferramentas de financiamento dos projetos de infraestrutura e na maior atração do capital internacional.

Se suas previsões estiverem corretas, e a economia do país não perder o grau de investimento, Barbosa projeta uma redução da curva longa de juros. “Os juros atuais estão pagado um prêmio de 250 a 300 basis points, o que já representa uma precificação como se tivéssemos perdido o grau de investimentos. Se isso não ocorrer, acredito que os prêmios devem fechar cerca de 150 basis points”, projetou o economista da Bram.