23-04-2015 – 15:29:06
Embora o prejuízo em 2014 divulgado na noite desta quarta-feira, 22 de abril, pela Petrobras, de R$ 21,5 bilhões, tenha sido o pior resultado desde 1986 entre empresas brasileiras de capital aberto, de acordo com levantamento da Economatica, os grandes bancos estrangeiros de investimento se mostraram otimistas com os números apresentados. Para o Bank of America Merrill Lynch (BofA), por exemplo, a divulgação da Petrobras foi um “evento positivo”, principalmente por ter ocorrido antes do prazo final estipulado (31 de maio) por órgãos reguladores e credores, e também pelo fato de os números não terem mostrado uma aceleração da dívida da companhia na intensidade projetada.
“Os números em si nunca foram o principal driver, mas o que foi apresentado pode ser amplamente favorável para levar a uma recuperação da Petrobras”, escrevem os analistas Frank McGann e Vicente Falanga Neto, em relatório. Eles destacam ainda que, talvez até mais importante do que os resultados, os comentários feitos pela diretoria indicam perspectivas melhores para os acionistas daqui pra frente. “A diretoria falou todas as coisas certas que deveria ter dito, incluindo comprometimento com uma melhor governança corporativa, e um foco maior no retorno aos acionistas”. Se o foco no acionista representa uma menor probabilidade de a companhia vir a realizar um aumento de capital, como o mercado teme, ponderam os analistas do BofA, é algo que ainda não está claro. “Esperamos ter mais clareza sobre isso nos próximos dias e semanas”.
O balanço da petroleira, e as declarações de seus executivos, que indicam uma direção “promissora” para a Petrobras, escrevem os especialistas do banco americano, lhes dá confiança sobre sua recomendação fora do consenso do mercado, de compra para os papéis da companhia. Embora muitos possam ficar tentados a vender os papéis com a divulgação dos resultados, ponderam McGann e Falanga Neto, na visão deles o que foi apresentado é suficiente para limitar a queda dos papéis no curto prazo. O preço alvo do BofA para a ação PN da Petrobras é de R$ 21,30. O papel opera sob extrema volatilidade nesta quinta-feira – chegou a cair mais de 3% e subir mais de 6% durante o pregão, e há pouco operava perto da estabilidade, a R$ 13,09.
“R$ 44 bilhões de impairment [baixa por desvalorização dos ativos] e R$ 6 bilhões de baixa contábil [por corrupção] nos parece suficiente para o mercado dar credibilidade à Petrobras por conta do comprometimento bastante considerável que foi adotado”, escrevem os analistas Andre Sobreira e Vinicius Canheu, do Credit Suisse.
Preço-alvo
O Goldman Sachs, por sua vez, elevou seu preço-alvo para as ações preferenciais da Petrobras de R$ 11 para R$ 12, e para as ordinárias de R$ 9,40 para R$ 10. As mudanças de preço-alvo incorporaram os resultados de 2014, o fluxo de caixa descontado esperado para 2015, e um leve ajuste nas projeções para os indicadores de produção e refino da companhia. “Temos uma avaliação neutra sobre os resultados de 2014, já que trouxe tanto pontos positivos como negativos”, escrevem os analistas Felipe Mattar, Sergio Conti, Bruno Pascon e Thiago Auzier.
Apesar do valor patrimonial da Petrobras estar em níveis que podem ser considerados baratos, os analistas do Goldman Sachs ressaltam que as ações da empresa seguem ao sabor do preço do barril de petróleo e do câmbio, e da conclusão das investigações atuais. Eles lembram também que os investidores devem seguir vigilantes quanto às medidas a serem tomadas para melhorar a liquidez de curto prazo da companhia. “Todos esses fatores tem um grau de incerteza razoável, o que dificulta prever qual direção o papel deve seguir”.
Pessimista
Já o BTG Pactual se mostrou mais pessimistas quanto aos resultados da Petrobras. Os analistas Gustavo Gattass, Andres Cardona e Julia Ozenda escrevem que o fraco balanço divulgado referente ao ano passado veio muito abaixo do que eles estavam esperando. Por conta dos resultados, e da perspetiva de um real mais desvalorizado, o BTG reduziu sua projeção de preço-alvo por ação da Petrobras em 21% para 2015, e em 8% para 2016.
“Como algumas agências de rating indicaram que o grau de investimento é basedo nas expectativas de uma relevante desalavancagem da companhia em 2016, temos receio de que a mensagem da diretoria tenha ficado aquém das expectativas das agências e do mercado, renovando preocupações sobre a capacidade da companhia de melhorar seu balanço sem venda de ativos ou aumento de capital”. Os analistas do BTG enxergaram inúmeras sinalizações, tanto por parte da empresa como do próprio governo, de que a Petrobras irá fazer um esforço maior para retomar as captações, com o objetivo de reforçar o Capex, “ao invés de indicar uma clara intenção de desalavancagem para preservar o balanço da empresa no futuro”.