Cresce importância do ALM em Fundos de Pensão | Luiz Gonzaga P. J...

Edição 181

Ninguém pode negar que o futuro da administração financeira nos fundos de pensão se tornará um desafio ainda maior, dado o cenário de queda nas taxas de juros, aumento da expectativa de vida, amadurecimento dos planos BD existentes e oportunidades crescentes de investimentos em ativos com outros tipos de riscos envolvidos, tais como CRI, FIDC, Private Equity e Venture Capital. Além disso, há uma tendência crescente de uso de derivativos, principalmente como instrumento de hedge. Dado que esta situação deve se concretizar pari passu à obtenção do selo de grau de investimento pelo país, os fundos de pensão devem buscar soluções mais avançadas, novos produtos e caminhos para fazerem frente às obrigações atuariais no futuro. É nesse contexto que a ferramenta ALM (Asset and Liability Management) entra em ação – na verdade, a nova velha solução.
O ALM em fundo de pensão deve ser diferente de sua gênese dentro de Instituições Bancárias. Nesta última, ativos e passivos podem ser geridos de forma proativa. Num Banco o passivo consiste de captações realizadas no mercado e seu perfil de risco depende basicamente do apetite da instituição em captar, qual instrumento vai utilizar, sob que periodicidade e com que maturação. Em outras palavras, este passivo além de gerenciável também possui uma modelagem padronizada mundialmente que é o Índice de Basiléia, enquanto o ALM, por outro lado, é um modelo individualizado por planos de benefício que busca o equilíbrio técnico, atuando tanto na maximização dos investimentos quanto na minimização do risco de descasamento de fluxos. Assim, o ALM representa a otimização dinâmica de ativos e passivos, tendo sempre o perfil de risco como restrição ao modelo. Em um fundo de pensão, o ativo é similar ao de um Banco, mas o passivo decorre de premissas atuariais, na qual os fundos de pensão têm pouca ingerência, ou seja, o passivo dos fundos de pensão é, financeiramente falando, “dado”. Nesta linha de raciocínio, o risco consiste basicamente do ativo não ser suficiente para honrar os compromissos ao longo do tempo. Portanto, o ALM para um fundo de pensão deve ser dirigido pelo seu passivo. Fundos de Pensão estrangeiros começaram a entender esta diferença e já tratam esta modelagem como LDI (Liability Driven Investing).
Por esta abordagem, cada plano é singular e deve desenvolver um benchmark e calcular seu Risk Free calcado nas características de seu passivo, conforme sugerido por Nascimento e Schmitz (2005). Uma vez aceito esta premissa, é necessário gastar algum tempo analisando as características do passivo atuarial. Primeiramente, para a maioria dos planos, o passivo é longo – mesmo os planos maduros, têm durations com dois dígitos. Alguns têm durations que excedem 20 anos. Um benchmark apropriado deveria refletir a importância da duration do passivo, mas não significa que a duration do ativo dever ser necessariamente a mesma, pois a imunização perfeita é a que apresenta os menores alfas – excesso de retorno. Isso pode não ser uma boa estratégia, por exemplo, para um plano com déficit atuarial. E quando se fala em duration, não significa necessariamente alocações em renda fixa com cupons e vencimento definidos, mas estratégias de investimentos dinâmicas com cronogramas de entrada e saída da posição. Assim, toda esta engenharia financeira utilizará deste benchmark na construção da Política de Investimentos – podendo ser acrescido, neste caso, a palavra: Desinvestimentos – com vistas à otimização com manutenção dos riscos em níveis desejáveis.
É nesse ambiente que a importância do ALM dentro de fundos de pensão aumenta. Não significa simplesmente o casamento de fluxos futuros de ativos e passivos, mas uma técnica de alongar ativos se beneficiando das taxas de retorno que além de adaptar o perfil do ativo ao passivo, não se descuida da meta atuarial. Alguém poderia mencionar a dificuldade de se proceder esta estratégia dado que o passivo sofre do risco da tábua biométrica, taxa de juros e outros parâmetros atuariais. É neste sentido que ao modelo ALM devem ser agregados indicadores de liquidez tanto dos ativos individualmente como de toda a carteira no sentido de se resguardar da volatilidade proveniente do passivo. Indicadores de liquidez como um Caixa Mínimo para amortizar as flutuações do mercado, bem como alterações do passivo atuarial podem ser estipuladas de maneira a permitir Políticas de Investimentos que agreguem retorno maximizado.
Outros indicadores de liquidez que busquem mensurar a capacidade de monetização do ativo no mercado são bem-vindos na medida em que monitoram o risco de solvência a ponto de possibilitar “correção de rota” para mantê-los em níveis aceitáveis. Desta forma, riscos podem ser mitigados e uma porção do portfólio pode estar disponível para investimentos que persigam maiores spreads.

Luiz Gonzaga P. Jr é gerente de Estratégia para Liquidez e ALM da Previ.