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S&P rebaixa classificação da gestora Riviera de boa para fraca

01-12-2017 - 17:28:40

 

A S&P Global Ratings rebaixou a classificação atribuída às práticas de administração de recursos de terceiros da Riviera Gestora de Recursos de ‘AMP-3’ (boa) para ‘AMP-5’ (fraca). A agência de classificação explica que a revisão da Riviera reflete as mudanças significativas que a empresa teve nos últimos seis meses, que incluem alterações em sua estrutura acionária, a alta rotatividade (turnover) de funcionários e a alteração substancial em sua estratégia corporativa que agora é se concentrar em um perfil de clientes diferente e focar-se ainda mais em produtos estruturados.

Após deixar a estrutura do Banco Paulista, em dezembro de 2016, a Riviera passou por uma nova mudança em sua estrutura acionária. Em junho de 2017, André Barbieri, fundador e dono de 100% das ações da Riviera até então, alienou 97% de sua participação para Márcio Guimarães — que era o diretor de gestão de risco e compliance — e deixou de participar das atividades da empresa. Historicamente, a Riviera se posicionava como gestora especializada no atendimento a investidores institucionais, mas após alterações em sua estrutura societária e em meio a mudanças regulatórias que dificultaram o acesso aos Regimes Próprios de Previdência Social a produtos estruturados, a empresa passou a focar seus esforços em clientes private, segmento no qual conta com menor expertise e pequeno histórico de operação.

Como consequência das mudanças em sua estrutura societária e do seu novo modelo de negócios, a Riviera teve grande alteração em seu quadro de funcionários com a saída de profissionais experientes e com alto conhecimento da filosofia e cultura de investimentos que haviam sido estabelecidas. “Após essas mudanças, vemos a Riviera como uma gestora completamente nova e que ainda tem de estabelecer uma cultura clara de investimento para agregar valor aos seus produtos”, informa a S&P em comunicado.

Desde a última revisão promovida pela agência de classificação, prossegue a S&P, a Riviera também deixou de ser responsável pela gestão de uma série de fundos que contribuíam de forma importante para seus resultados. Em outubro de 2017, a gestora tinha aproximadamente R$ 557 milhões em ativos sob gestão, contra R$ 6,9 bilhões em fevereiro de 2017. “É válido mencionar que, no início de 2017, apenas um único fundo representava cerca de 76% do montante gerido pela empresa”. Ainda assim, a diminuição no número de fundos sob gestão da Riviera foi bastante expressiva, o que leva os especialistas da S&P a acreditar que essa redução adicione risco à sua capacidade financeira para se adequar consistentemente às melhores práticas.

“Acreditamos também que a Riviera enfrente agora maior risco de concentração em seu negócio, já que espera focar-se completamente em fundos estruturados, contrastando com sua estratégia anterior que era de diversificar a oferta de produtos por meio do desenvolvimento de fundos de renda fixa”. Por conta disso, a agência de classificação enxerga uma deterioração no perfil de negócios da Riviera, que ainda enfrenta o desafio de consolidar sua nova posição de mercado em meio ao ambiente altamente desafiador da economia brasileira. “Acreditamos também que a empresa enfrenta o desafio de crescer e se tornar lucrativa em uma indústria altamente competitiva, e que exige custos elevados para garantir boas práticas de gestão e para cumprir com as normas estabelecidas pela regulação local”.


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