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Melhora do ambiente político europeu contrasta com o dos EUA, diz gestor da Columbia Threadneedle

01-12-2017 - 15:13:01

 

A situação política na Europa está mais estável no momento, após alguns eventos preocupantes no ano passado quando partidos extremistas com propostas populistas com programas contrários à migração de refugiados, aos acordos globais e mesmo à União Europeia ganharam terreno na região. “Em 2017 temos notado uma situação diferente, com vitórias de políticos mais moderados, favoráveis aos negócios e à União Europeia na Holanda e na França”, afirma Francis Ellison, gestor da Columbia Threadneedle, asset global com ativos sob gestão da ordem de US$ 484 bilhões. A gestora tem um fundo que investe em ativos na Europa ofertado aos investidores brasileiros por meio de parceria com a Rio Bravo. O especialista pondera que essa tendência recente no velho continente contrasta com a observada nos Estados Unidos, onde o presidente Donald Trump tem enfrentando problemas com aliados internacionais e também com o congresso do próprio país.

Em termos econômicos, “a Europa está atravessando um período de recuperação expressiva do PIB e dos lucros corporativos”, movimento que o gestor acredita que deve prosseguir ao longo de 2018. Os Estados Unidos, por outro lado, prossegue Ellison, parecem estar à frente nesse ciclo de recuperação, com as margens das empresas já bem precificadas e possivelmente insustentáveis segundo o especialista. Além disso, ele lembra que a política monetária americana também está um passo à frente da europeia, com os juros em elevação e o fim dos programas quantitativos (quantitative easing) de compra e emissão de títulos. “O fim dos estímulos por parte do BCE representa um risco de curto prazo, mas uma normalização da política monetária é saudável ao longo prazo. O Fed já está no meio desse processo, e a Europa pode aprender com a experiência americana”.

Valorização do euro - Em relação ao movimento recente de valorização do euro frente ao dólar, o gestor da Columbia Threadneedle admite que algumas empresas europeias exportadoras devem sofrer competitivamente em mercados com fortes concorrentes de outras regiões. Ele ressalta, contudo, que certos produtos da região, como whisky escocês, cosméticos franceses e relógios suíços não tem equivalentes estrangeiros que possam representar algum risco mesmo com a valorização da divisa. “A força do euro significa que o consumidor internacional terá de pagar preços mais altos se quiser apreciar esses produtos, já que os fabricantes podem aumentar seus preços uma vez que não há o risco de perder vendas para concorrentes de outros países”.

Ellison diz ainda que o fundo da Columbia Threadneedle foca no que a “Europa faz de melhor”, que são ações do setor de consumo, indústria e saúde. “São companhias dominantes no cenário mundial que se mostraram resilientes nos últimos anos diante das incertezas políticas e econômicas”. Entre os nomes com maior peso na carteira do fundo estão Unilever, L´Oréal, Ryanair e Anheuser-Busch InBev. Quanto aos conflitos geopolíticos e ataques terroristas no continente, Ellison fala que, embora as consequências desses eventos sejam trágicas e indesejadas, é “improvável” que as companhias no radar da asset sejam afetadas, por conta de sua resiliência. “Não esperamos que esses eventos prejudiquem a demanda por sabão, shampoo, cerveja, cosméticos ou mesmo produtos médicos”.


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