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Tese de migração de investidores para bolsa devido à queda da Selic pode não se sustentar, diz fundo Verde

09-11-2017 - 13:17:58

 

No acumulado de 2017 a bolsa brasileira acumula valorização acima de 22%, isso após os ganhos de quase 40% em 2016. Apesar do cenário incerto de 2018 por conta do quadro eleitoral indefinido, profissionais do mercado citam recorrentemente a queda dos juros, que saíram de 14,25% no final do ano passado para os atuais 7,50%, como razão principal para o otimismo com a renda variável.

O fundo Verde, da asset de mesmo nome, gerido por Luis Stuhlberger, contudo, questiona essa tese de que os juros próximos de 7% forçarão os investidores a sair da renda fixa e migrar para a bolsa. “Os pontos fracos dessa hipótese são vários, mas o principal diz respeito ao juro, já que temos um mercado cuja função exata é arbitrar o valor futuro desta variável. E o mercado de juros futuros vem sinalizando que os tais 7% não seriam tão sustentáveis assim”, escrevem os gestores do fundo Verde em relatório divulgado nesta quinta-feira, 9 de novembro.

Como exemplo os especialistas da Verde citam a taxa de juro futura entre os anos de 2019 e 2020 (os dois primeiros anos do próximo mandato presidencial), que atingiu o nível mais baixo em meados de setembro, quando bateu 9,62%. De lá para cá, essa taxa subiu aproximadamente 0,90% (ou 90bps) para 10,51%. No relatório os gestores escrevem que a intenção deles “não é fazer um tratado sobre a precificação do juro futuro nem discorrer sobre se 10,50% por si só é alto ou baixo. Mas sim, apontar que o juro que deveria importar para o preço das ações não é, e talvez nunca seja, os tais 7% mágicos”.

Em relatórios anteriores os profissionais da asset já haviam sinalizado preocupação com o fato de a alta da bolsa nos últimos meses estar bastante dissonante do comportamento recente dos mercados de juros. “É verdade que muitas vezes a bolsa está em Marte e a renda fixa está em Vênus..., mas essas distorções tendem a não durar”, destacam os profissionais da Verde.

A visão da Verde sobre as ações brasileiras não é negativa, ressaltam os gestores, que acrescentam que apenas não compartilham do otimismo excessivo reinante no mercado brasileiro. “Acreditamos que o preço das ações não se faz num vácuo independente das outras variáveis”, diz o relatório do Verde, no qual os gestores dizem ainda que enxergam oportunidades em determinados setores, “e se a correção das últimas semanas se aprofundar um pouco mais, vamos provavelmente aumentar nossa exposição”.

 


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