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JP Morgan altera para compra recomendação para crédito soberano brasileiro

04-08-2017 - 16:23:48

 

O JP Morgan alterou taticamente sua recomendação para o crédito soberano brasileiro de neutro para compra (overweight), após a vitória do presidente Michel Temer, que conseguiu com a votação na Câmara dos Deputados nessa semana impedir que a denúncia por corrupção passiva fosse encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF), o que levaria ao seu afastamento por 180 dias. “O resultado da votação na Câmara reduz as incertezas políticas e melhora a perspectiva de uma aprovação da reforma da previdência, em nossa visão”, diz o relatório da instituição financeira americana. Para os especialistas do JP Morgan, a tendência é que o rendimento do crédito soberano brasileiro tenha um desempenho acima da média do mercado no curto prazo, tendo em vista o posicionamento ainda em nível baixo dos investidores no ativo e os patamares dos spreads, que ainda são maiores em comparação com os observados antes da delação da JBS vir à tona.

Os analistas do banco explicam que optaram por promover uma alteração tática em sua recomendação porque entendem ainda ser necessária uma trajetória mais clara da dinâmica fiscal e de crescimento da economia para adotar uma visão otimista de longo prazo com a região. “Independentemente do resultado das reformas, nossos economistas preveem que o nível da dívida em relação ao PIB deve atingir 75,5% em 2017 e 78,7% em 2018, já que as medidas teriam pouco efeito nos próximos dois anos mesmo que aprovadas. Sem a aprovação delas, o nível da dívida em relação ao PIB deve superar 100% em uma década”. O documento do JP Morgan aponta também que o principal risco para a recomendação de compra para o crédito soberano brasileiro é o de não aprovação das reformas, ou ainda que aprovadas, em termos muito diluídos ou com atraso em demasia.

Ainda segundo o relatório do banco, assinado pela equipe de estrategistas para mercados emergentes e pelo time responsável pelas pesquisas econômicas e políticas do Brasil, embora a probabilidade de aprovação da reforma da previdência tenha aumentado após a votação na Câmara, os especialistas notam que, em uma levantamento junto aos seus clientes feito em julho, quase ¾ responderam que já esperavam que a reforma, com diferentes graus de diluição, seria aprovada antes das eleições de outubro de 2018. “Isso sugere que uma perspectiva positiva para o crédito soberano brasileiro já estava de certa forma precificada, ao menos em parte, pelos investidores”.


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