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Governo não deve aprovar reformas e cenário se altera totalmente após denúncias, dizem especialistas

18-05-2017 - 12:43:52

 

A denúncia de que o presidente Michel Temer teria dado seu aval para que o empresário da JBS Joesley Batista comprasse o silêncio do deputado cassado e preso Eduardo Cunha provocou forte impacto no mercado. A bolsa brasileira acionou o sistema de 'circuit break' pouco após o início dos negócios, quando a queda do mercado superou os 10% e interrompeu por meia hora as operações. Há pouco, contudo, a queda seguia intensa e estava em 9,22%, aos 61.310 pontos, enquanto o dólar subia 7.64%, a R$ 3,37. O estrategista chefe do Banco Mizuho do Brasil, Luciano Rostagno, afirma que o cenário base com o qual o mercado vinha trabalhando até então, de aposta crescente na aprovação das reformas previdenciária e trabalhista nas próximas semanas, se altera totalmente com o escândalo. “No melhor caso, as reformas serão apenas postergadas, mas o que temos visto até o momento sugere que de fato vai ficar insustentável para o Temer levar adiante a aprovação das reformas”, diz o especialista. “O governo não terá capital político para aprovar as reformas. Realmente é uma mudança abrupta de cenário do mercado”, acrescenta.

Embora a queda do mercado seja intensa nesta quinta-feira, 18 de maio, o estrategista chefe do Banco Mizuho entende que ainda há espaço para quedas adicionais. “Entramos em um cenário desconhecido, em que o presidente terá de renunciar, ou passar por um processo de impeachment, e isso vai trazer muita incerteza sobre qual solução o Congresso vai propor para acabar com a atual crise”, pondera Rostagno. Em um ambiente de incertezas como o atual, os investidores vão em busca de proteção, o que vai fazer com que os ativos brasileiros sigam sofrendo, ao menos no curto prazo, prevê o profissional. Somente os desdobramentos do escândalo presidencial, prossegue Rostagno, é que vão poder dar uma ideia mais clara de qual será o patamar correto dos preços dos ativos no mercado doméstico a partir de agora. Confirmada a denúncia contra o presidente da República, com as gravações vindo a público, vai ficar insustentável Temer seguir no cargo, afirma o especialista.

Tempos incertos – A Guide, em relatório, avalia que as recentes revelações envolvendo os irmãos Batista (J&F) e Michel Temer alteram todo e qualquer cenário-base do mercado e do país. “São tempos incertos”, escrevem os gestores da Guide, que lembram ainda que o cenário externo também não contribui para os preços dos ativos locais, com o presidente americano, Donald Trump, com dificuldades para conseguir apoio político e com o impeachment também sendo ventilado como uma possibilidade. “Temer ficará de pé? Parece impossível”, diz a Guide no documento, no qual afirma também que a renúncia do presidente é uma possibilidade, e que um eventual processo de impeachment deve durar muito menos do que o da ex-presidente Dilma Rousseff. “O cronograma das votações no Congresso fica completamente paralisado. O pano de fundo para a recuperação econômica mudou, e os holofotes se voltam à transição política”. A Guide diz também que o quadro político alterou todo e qualquer pano de fundo e perspectivas para os próximos passos da política monetária do Banco Central. Os especialistas da casa entendem que o ciclo de corte de juros tende a ser interrompido, até que maior clareza de cenário seja retomada.

Possível oportunidade – A equipe da consultoria Suno Research ressalta que, embora acredite “com um bom nível de certeza de que veremos uma nova queda acentuada da bolsa”, as boas empresas do mercado seguem com bons fundamentos, apesar de todo ruído oriundo do mundo político. Os especialistas da Suno avaliam que, em períodos de incerteza, é importante lembrar que empresas rentáveis e sólidas continuam tendo essas características, independentemente de sua cotação no mercado. “Dessa forma, uma queda no valor das ações não necessariamente significa uma queda em seu valor”, destaca o relatório da consultoria, que cita como exemplo as ações da Itaúsa, controladora do Itaú, que sofreram uma queda expressiva em sua cotação no mesmo período que a bolsa desabava no Brasil. Esse movimento, porém, não foi pela empresa ter apresentado deterioração em seus fundamentos, e sim pelo pânico no qual se encontrava o mercado, quando as decisões de compra e venda de parte dos investidores deixa de ser racional, e muitos vendem boas empresas por qualquer preso apenas pelo medo de que elas continuassem caindo, notam os profissionais da consultoria. “Se por um lado o mercado até ontem estava caro, temos agora uma possível oportunidade de compra se desenhando pela frente”.


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