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Edição 291

Masp estrutura fundo para ter recursos próprios e ser capaz de se sustentar de maneira independente nos próximo anos, à despeito da conjuntura 

O Museu de Arte de São Paulo (Masp) está próximo de criar um fundo patrimonial ao estilo dos ‘endowments’ do mercado americano e de outros países. O objetivo é que o museu tenha recursos próprios para se manter no longo prazo independentemente da conjuntura econômica dos períodos que ainda irá atravessar e da equipe de gestão responsável pela instituição e seu acervo. Fundado em 1947 pelo empresário Assis Chateaubriand, o Masp é um museu privado sem fins lucrativos.
Juliana Sá, diretora jurídica e de relações institucionais do Masp, explica que a maior motivação para a criação do ‘endowment’ foi a possibilidade de perpetuar o museu ao longo dos próximos anos. “Queremos criar um mecanismo que consiga enxergar muito no longo prazo, e independentemente do que acontecer e da conjuntura o museu vai ter sempre uma forma de se manter”, afirma Juliana.
A diretora do Masp recorda que o projeto para a criação do ‘endowment’ teve início há cerca de um ano e meio, quando a equipe do museu analisou fundos nesses mesmos moldes já existentes na Europa e também nos Estados Unidos para utilizar como modelo. “Essa análise nos permitiu entender principalmente a forma de utilização dos recursos, a gestão e a governança necessárias, e a partir desse trabalho começamos a desenhar junto com o escritório Pinheiro Neto uma estrutura que estivesse alinhada com a nova estrutura do Masp”, comenta a especialista.
Com base nas análises dos ‘endowments’ de museus em mercados onde esse segmento é mais desenvolvido – o de Houston, nos Estados Unidos, por exemplo, tem um patrimônio que soma aproximadamente R$ 1,2 bilhão – a diretora do Masp ressalta a importância que esses fundos representam dentro das entidades. “Mais de 50% das receitas vem do rendimento dos ‘endowments’ nos mercados desenvolvidos. Entendemos que é de fato uma forma de perenizar a instituição”, pondera Juliana.
A expectativa é que o ‘endowment’ do Masp esteja de pé, preparado para receber recursos de eventuais apoiadores, em maio. Além da criação do ‘endowment’, Juliana revela também que, para o segundo semestre, está previsto um outro projeto que poderá resultar na criação de uma fundação do museu. A diretora destaca que, por se tratar de uma instituição totalmente privada, cabe à própria sociedade o cuidado para a manutenção do museu no longo prazo. “Nós como brasileiros precisamos parar para pensar como fazer para manter uma instituição que é a mais importante culturalmente no país”.

Captação – Sobre a expectativa de captação do ‘endowment’, foi estabelecido como um ‘target’ inicial um montante ao redor dos R$ 40 milhões, que equivale ao orçamento anual do Masp, considerando o custo das exposições que são apresentadas pelo museu. Juliana fala que, somente a partir desse patamar dos R$ 40 milhões, que os ganhos oriundos dos rendimentos desse capital se tornam relevantes a ponto de fazerem frente aos custos de manutenção do Masp. “Esse é o nosso target para os próximos anos, mas sabemos que não vai acontecer de um ano para o outro”, admite Juliana. Ela nota que o museu de Houston, que tem um patrimônio bilionário, demorou mais de um século para conseguir alcançar seu patamar atual.
A gestão dos recursos do ‘endowment’ ficará sob responsabilidade dos conselheiros do Masp, formado por 63 membros, que se dividem nos comitês cultural, de relações institucionais e de governança. Os integrantes do comitê de governança são profissionais ligados ao mercado financeiro. Em conjunto com a diretoria estatutária, os membros do comitê vão cuidar da aplicação dos recursos, explica Juliana. Entre os executivos que contribuem para o Masp, estão nomes como Alfredo Egydio Setubal, presidente do conselho deliberativo do museu, e vice-presidente da Itaúsa, além de Luis Stuhlberger, gestor da Verde Asset, e Roberto Sallouti, presidente do BTG pactual, membros do conselho.
“Infelizmente a figura do ‘endowment’ ainda não existe no país e esperamos que as novas políticas relacionadas à cultura comecem a levar em consideração a criação desses fundos para todas as instituições culturais, com a questão dos benefícios fiscais para doações feitas para esses fundos, porque está comprovado mundialmente que são pilares para a manutenção de qualquer instituição”, afirma a diretora.


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