Busca

Liderança mantida

Edição 291

Itaú Asset permanece no topo do ranking dos melhores fundos para institucionais; Bram fica em segundo, e Santander em terceiro

Performance dos Gestores (em pdf)

A Itaú Asset vem se mantendo há dois anos como a gestora com o maior número de fundos considerados excelentes no levantamento realizado pela Investidor Institucional em parceria com a Luz Soluções Financeiras, que seleciona os melhores fundos para institucionais. A gestora do Itaú teve 26 fundos premiados, sendo 14 de renda variável, 11 de renda fixa e um multimercado. Em segundo lugar aparece a Bradesco Asset Management (Bram), com 17 fundos, dos quais nove são de renda fixa, seis de renda variável e dois multimercados. O Santander foi o terceiro colocado, com 16 fundos excelentes, sendo 12 de renda fixa, dois multimercados e dois de renda variável. Ao todo foram analisados 640 fundos, com 74 fundos verdes de renda fixa, de um total de 292; 33 multimercados verdes, de 131 analisados; e com 72 verdes de renda variável, de 217 analisados.
Rodrigo Noel, portfolio specialist da Itaú Asset, nota que a primeira colocação no levantamento reflete a variedade de produtos geridos por uma série de mesas proprietárias, cada uma focada em um segmento específico do mercado. “Como temos um vasto portfólio de produtos, para manter o foco e conseguir fazer uma gestão com excelência, a asset é muito segmentada. Não é uma mesa de gestão que gere vários produtos diferentes, mas são várias mesas, cada uma com sua especialidade”, afirma Noel. Ele ressalta que há grupos específicos na gestora responsáveis pelas estratégias de renda variável, renda fixa, crédito e gestão passiva indexada.
O executivo do Itaú destaca que os fundos considerados excelentes pelo levantamento adotam toda a gama de estratégias que são segmentadas dentro da asset, o que indica o acerto na decisão de modelar a área por nicho de mercado. Sobre o cenário macroeconômico que serviu como pano de fundo para as estratégias dos veículos premiados da Itaú Asset, ele recorda que o ambiente no início de 2016 era bastante complicado, não só por conta da crise política no âmbito doméstico, mas também, no front externo, com a desaceleração da China e a forte queda nos preços das commodities que prejudicaram os termos de troca do país.
Ao longo do primeiro trimestre, a asset percebeu indícios de uma possível mudança de cenário, do ponto de vista interno e externo. “No Brasil, o cenário foi muito melhor do que a gente imaginava, com uma melhora bastante grande no ambiente regulatório”, pondera o portfolio specialist da Itaú Asset, que cita como exemplo uma aposta da casa em infraestrutura, e mais especificamente no setor elétrico. “Percebemos uma melhora muito grande do ambiente regulatório que não estava precificada, fizemos a aposta e colhemos os frutos no segundo semestre”.
Noel destaca, contudo, que o ano passado não foi um período fácil para a gestão no mercado financeiro, já que a volatilidade se fez bastante presente por conta de eventos que surpreenderam os especialistas, como o Brexit e a vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, além do conturbado noticiário político local. “Estamos sempre preocupados em fazer uma análise alternativa do cenário base, ou seja, trabalhamos com posições mais táticas em alguns momentos para tentar se proteger caso o cenário base de melhora macro e de governança não se concretizasse”, diz Noel.
O executivo avalia que a abordagem escolhida permitiu não só entregar uma rentabilidade interessante para os clientes, como contribuiu também para que o resultado ajustado ao risco ficasse em patamar atraente. “Essa postura adotada vale tanto para os fundos de renda variável como para os de renda fixa”, pondera Noel.
No caso da renda fixa, o especialista da Itaú Asset lembra que a melhora do ambiente macroeconômico, com a queda do dólar e da inflação, abriu espaço para uma visão de que em algum momento a curva de juros deveria apresentar um fechamento relevante dos prêmios embutidos. “Ao longo do ano nos posicionamos para conseguir os resultados oriundos desse fechamento da curva, que foram aparecer mais perto do fim do ano e no início de 2017”, pontua o especialista.
Na renda variável, além do setor elétrico, Noel destaca também como apostas vencedoras da gestora no ano passado o setor de óleo e gás, notadamente a Petrobras. “O caso da Petrobras foi justamente na aposta em uma melhora macro e de governança”. A petroleira tem um peso muito grande no Ibovespa, e quando há uma melhora brusca do ambiente macro, é comum ocorrer uma corrida dos investidores pelo beta, sem uma análise aprofundada papel a papel o que impulsionou o benchmark no período, ressalta o executivo. “Isso vale também para o setor financeiro, e para os bancos especificamente, que tem um peso grande no índice”.

Plataforma – Na Bram, segunda colocada do levantamento, o amplo portfólio à disposição dos investidores também foi um ponto destacado. “Uma das vantagens da Bram é a plataforma ampla e diversificada, o que nos permite oferecer aos clientes todas as alternativas para seus investimentos, tanto em fundos ativos como passivos”, diz Ricardo Almeida, CIO (Chief Investment Officer) da Bram.
Ele afirma que os fundos de renda fixa selecionados pelo levantamento concentraram suas estratégias em ativo pré-fixado e juro real no ano passado. “Em sua maioria são fundos de renda fixa não DI”, comenta o especialista, que ressalta a gestão ativa dos fundos de renda fixa da Bram que aparecem no estudo. “Fundos com juro real e os pré-fixados tiveram uma performance muito boa dado o grande fechamento de taxa que ocorreu no ano passado”, pondera. Ele nota que 2016 foi um período marcado pela migração do CDI para vértices da curva de juros.
No caso da renda variável, dos cinco fundos classificados como excelentes, dois são de BDRs e outros três são indexados aos benchmarks Ibovespa, IBrX e IBrX-50. Em relação aos fundos de BDRs, o CIO da gestora do Bradesco diz que o desempenho deles não foi tão expressivo nos últimos meses por conta da valorização do real frente ao dólar observada no período.
“O ano passado foi bom para os fundos de gestão passiva porque vínhamos de um cenário muito adverso para a economia brasileira, e com a primeira delação do Delcídio do Amaral e o início do processo de impeachment houve uma reversão muito rápida das expectativas, e os fundos ativos em sua grande maioria não estavam posicionados para isso”, recorda o executivo, que destaca, contudo, que para 2017 a tendência é que esse quadro se inverta, e os fundos ativos voltem a entregar retorno superior aos passivos.
Em relação aos multimercados da Bram que aparecem no levantamento, Almeida explica que um deles, o Selection, é um fundo de fundos que compra cotas de veículos de outros gestores que atuam no segmento. Esse fundo, no entanto, tem liberdade para ter em sua composição fundos da própria Bram. O outro multimercado no estudo, o Seleção Estratégica, é um fundo long short que foca sua atuação no mercado doméstico de renda variável, que se beneficia das posições compradas e vendidas feitas pelos especialistas da asset na Bovespa. “O diferencial desses fundos é a capacidade do gestor navegar em cenários otimistas ou pessimistas, já que ele consegue ter uma flexibilidade maior”, afirma o CIO da Bram.

Bolsa em alta – Segundo a responsável pela área de gestão de investimentos da Luz Soluções Financeiras, Maria Paula Cicogna, a classe de ativo que mais se destacou em 2016 foi a de renda variável, influenciada pela forte alta próxima de 40% do Ibovespa, impulsionado pelo processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.
“Dentro dos fundos de ações, se olharmos apenas para a questão da rentabilidade, vale destacar a categoria de dividendos”, pondera a especialista. Se levarmos em conta, além da rentabilidade, outros fatores, como risco e volatilidade, os fundos de renda variável da categoria valor também tiveram destaque positivo no ano passado. “Embora a bolsa de forma geral tenha subido bastante no ano passado, alguns gestores, principalmente das estratégias dividendos e valor, se destacaram ainda mais e conseguiram gerar alfa”.
Dos 170 fundos de renda variável analisados, somente 28 conseguiram superar o benchmark no ano passado. Entre os destaques negativos a especialista da Luz aponta justamente os indexados, que apresentaram uma performance abaixo da média do segmento. “Essa foi a estratégia com mais fundos dentre as 15 últimas posições”. Maria Paula ressalta que o desempenho dos indexados abaixo de seus benchmarks não se restringe à cobrança das taxas, já que o resultado entregue ficou bem abaixo do apresentado pelos índices que eles se propõem a seguir.
Em relação aos fundos de renda fixa, dos 286 veículos analisados, somente 70 entregaram um retorno superior a 20% em 2016. Desses 70, destacam-se positivamente os fundos beta inflação e os que seguem o benchmark IMA-B. “Esses fundos tiveram bom desempenho por causa da queda da taxa de juros bem relevante que observamos no ano passado”. Na ponta oposta, 81 dos 286 fundos de renda fixa não conseguiram superar o CDI, cuja rentabilidade acumulada em 2016 foi de 14%. Nessa situação predominam os fundos de crédito privado, tanto os high yield como os investment grade, influenciados pelo deteriorado ambiente macroeconômico.
Entre os multimercados 3792, o destaque positivo foram os da categoria alpha global, que investem em qualquer ativo disponível no mercado internacional. Por outro lado, os alpha local, que investem apenas em ativos brasileiros, tiveram um dos piores desempenhos entre os multimercados renda fixa. Já na classe multimercados estruturados, que fazem day trade e adotam posições vendidas em seus portfólios, os alpha global aparecem como destaque negativo, enquanto os fundos de fundos são o destaque positivo.
“Não significa que os alfas globais tiveram uma rentabilidade muito baixa, apenas tiveram o pior desempenho entre os multimercados estruturados”. Segundo Maria Paula, a rentabilidade média dos melhores estruturados em 2016 foi de 20,06% enquanto a dos piores ficou em 14,50%.


VídeosOnline

Mais lidas de Investidor Institucional em 3 meses

Mais lidas de InvestidorOline em 1 mês