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Multimercados em evidência

Edição 290

Com queda da taxa básica de juros, fundações enxergam nos fundos multiassets uma das principais alternativas disponíveis no mercado

Com o ciclo de redução da taxa básica de juros em andamento, as fundações se veem obrigadas a buscar novas alternativas de investimento no mercado que sejam capazes de fazer frente às suas metas atuariais. Além do segmento de renda variável, sempre lembrado por conta de sua liquidez imediata, outra alternativa que começa a ser analisada por uma série de fundações são os multimercados, pela maior flexibilidade dos veículos em transitar pelas diversas opções existentes e também por conta da expertise dos gestores responsáveis pelos fundos.
Na Fundação Corsan (Funcorsan), o diretor financeiro e administrativo, Adimilson Stodulski, lembra que a entidade historicamente sempre teve posições relevantes entre os multimercados, que chegaram a representar quase 25% do patrimônio de R$ 1,4 bilhão. Nos últimos dois anos os veículos perderam um pouco do espaço na carteira, mas ainda seguem com uma fatia, próxima de 17%, preenchida por dois fundos, do Brasil Plural e do Safra.
“Para 2017 existe a possibilidade de fazermos novos aportes nos fundos, até porque vemos como uma alternativa importante especialmente para o reinvestimento dos juros das NTN-Bs”, afirma Stodulski. Ele lembra que o plano de benefício definido (BD) da Funcorsan segue aberto, apresenta fluxo de caixa estável, e ainda não tem desembolsos. “O reinvestimento dos cupons dos títulos públicos é um ponto de atenção para a fundação em 2017”. O dirigente prevê que os recursos da fundação oriundos dos juros pagos pelas NTN-Bs que terão de ser reinvestidos nos próximos meses irão somar aproximadamente R$ 100 milhões.
O diretor da Funcorsan avalia que o mercado financeiro não irá apresentar tantas oportunidades de investimento como foi observado durante o ano passado, daí a preferência por um veículo que consiga capturar os ganhos em cada um dos segmentos de acordo com o momento. “A gente enxerga essa oportunidade com os multimercados, que tem a possibilidade de aplicar em vários segmentos do mercado dentro de um mesmo fundo. Talvez tenhamos algumas oportunidades mais pontuais, e nesse ambiente o multimercado é um veículo interessante”.
O diretor explica que o fundo de pensão seleciona os gestores mais alinhados à demanda da entidade, e estrutura um fundo exclusivo que normalmente é espelhado em um fundo multimercado já operado pelo gestor, com alguma eventual adequação necessária do regulamento do veículo para que ele fique alinhado à política de investimento.
“Nossa expectativa é em um primeiro momento ampliar os valores nos multimercados existentes, e talvez no segundo semestre, a depender do cenário, abrir um novo fundo”. Os dois multimercados em carteira da Funcorsan operam basicamente moedas, juros, bolsa, com uma pequena exposição à renda variável global. Em 2016, os dois fundos conseguiram superar a meta atuarial de 12,56% da fundação no período.

Profissionais – O Metrus tem estudado os multimercados disponíveis no mercado, e planeja fazer no curto prazo uma alocação em até quatro casas diferentes para capturar os ganhos da indústria. Wilson Amarante, diretor de investimento, pondera que um dos principais critérios que será levado em conta na seleção das assets será o perfil e histórico do gestor responsável pelas estratégias e a equipe que o acompanha. “Não estamos olhando para o nome das assets, mas para as pessoas que estão fazendo a gestão dos fundos multimercados, esse é um fator muito importante na nossa análise”, afirma Amarante. O Metrus não possui atualmente nenhuma exposição ao segmento dos multimercados.
“Dentro do cenário de queda da taxa de juros, em que ainda há poucas opções no crédito privado, os multimercados se mostram o veículo mais razoável para as fundações buscarem taxas de retorno mais altas”, pontua Amarante. O dirigente do Metrus nota que os bancos ainda estão com o nível de caixa muito alto, o que faz com que as emissões mais longas realizadas pelas instituições financeiras não apresentem taxas tão atrativas.
No mercado de debêntures, o especialista entende que as emissões que têm sido preparadas estão mais voltadas às empresas do setor de infraestrutura. “As emissões de debêntures estão sendo montadas mais voltadas para as pessoas físicas por conta da isenção do imposto de renda”. Como as fundações não se beneficiam da isenção da operação especificamente, por já contarem com essa vantagem em seus investimentos, as próximas emissões de debêntures não parecem tão interessantes, diz Amarante.
“Por isso nossa opção tem sido olhar para os multimercados, em estratégias com moedas, juros, e também em outros países. Estamos em processo de seleção e devemos investir entre março e abril”. Entre os nomes que fazem parte do processo seletivo, estão gestoras ligadas aos grandes bancos, assets independentes, e também casas globais.

Agilidade – Em linha com a tendência do mercado, em dezembro do ano passado a OABPrev-PR selecionou o Santander e a Bozano para a gestão da carteira de multimercados da entidade. O trabalho de seleção contou com o apoio da Aditus, que fez um filtro preliminar das casas que atendiam às demandas da fundação. O modelo de gestão da OABPrev-PR conta com um FIC exclusivo, que compra cotas de fundos, e que está sob administração da Sul América.
“Percebemos que o FIC tem um limite pequeno para comprar papéis direto no mercado, só pode ter 5%. O FIC tem de ter no mínimo 95% de cotas de outro fundos e no máximo 5% em papéis. Trata-se de um modelo muito bom para fundos instituídos como o nosso, que só vive de contribuição dos participantes, já que temos de buscar custos mais baixos, mas tem a dificuldade de poder aproveitar com agilidade as oportunidades que o mercado apresenta”, afirma Felipe Vidigal, gerente executivo do fundo de pensão.
Para suprir essa lacuna, a entidade optou pela seleção de duas casas com especialistas na gestão de fundos multimercados. São fundos exclusivos multimercados institucionais que vão ficar no guarda chuva do FIC. “O gestor vai buscar as melhores alternativas com muito mais agilidade em CDI, taxas pré, cupom de IPCA, moeda e bolsa. Com a tendência de queda da taxa de juros, a alternativa é buscar rentabilidade nessas oportunidades de mercado”, pondera Vidigal.
Cada um dos fundos selecionados começou com um patrimônio de R$ 35 milhões, que foi elevado para R$ 40 milhões. Os fundos têm como benchmark o CDI mais 2%. “É um benchmark arrojado, mas que entendemos ser adequado para os atuais níveis dos juros”. Vidigal ressalta que, com a tendência do rendimento do CDI chegar próximo de 9,5% no fim do ano, quando o benchmark atingir esse nível a meta de rentabilidade dos multimercados será reduzida, para algo próximo de CDI mais 1,5%. “Não queremos que o fundo seja tão agressivo. Mas no momento foi a alternativa que escolhemos para aproveitar as novas oportunidades que o mercado vai apresentar”.
A OABPrev-PR já tinha outros multimercados em carteira, mas com o aporte nos novos gestores selecionados, reduziu a exposição nos fundos já existentes anteriormente. “Fizemos uma realocação de valores, e tiramos uma parcela de fundos com características parecidas”. A diferença para os dois novos multimercados, explica o gerente, é que neles a fundação terá condições de estar mais próxima dos gestores, com uma política determinada pela própria entidade, já que os demais são fundos condominiais abertos.
O gerente da OABPrev-PR explica que na contratação dos dois novos multimercados a Sul América não teve nenhuma participação, já que ela apenas administra o FIC. “Nem teria sentido a participação da Sul América nesse proceso. Já temos na carteira um percentual com fundos da Sul América, e a ideia é justamente poder comparar os gestores, para que possamos ter uma gestão especializada”, afirma Vidigal, que ressalta que deve realizar nos próximos dias uma reunião com a adminstradora do FIC para uma eventual ampliação da renda variável.
O PL da OABPrev-PR soma R$ 251,5 milhões. Como tem uma entrada mensal de R$ 3 mil de dinheiro novo, e mais a rentabilidade da carteira, o gerente executivo acredita que a entidade deve chegar ao fim de 2017 com cerca de R$ 320 milhões.


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