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Finalmente um ano mais positivo

Edição 290

Ranking Top Asset: BB DTVM amplia liderança e Bram se aproxima da Itaú Asset na disputa pela segunda posição; total de ativos da indústria cresce 14,78% em 12 meses

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Raio X do Mercado (em pdf)

Não se pode dizer que houve um crescimento excepcional, mas em comparação com anos anteriores, 2016 é um ano em que o mercado voltou a performar. Com destaque tanto para fundos com títulos públicos, como para fundos de ações, com reflexos positivos para algumas classes de multimercados, o ano passado foi muito melhor para a indústria de gestão de recursos que os dois anos anteriores. O volume total de ativos da indústria, segundo levantamento do ranking Top Asset apontou crescimento de 14,78%. Apenas no segundo semestre de 2016, a indústria cresceu 9,56%, atingindo a cifra de R$ 3,53 trilhões em ativos sob gestão.
Embora as primeiras posições gerais do ranking Top Asset permaneçam as mesmas do levantamento anterior, a disputa pela vice-liderança ficou mais acirrada. No topo do ranking a BB DTVM continua absoluta, até com crescimento superior à segunda colocada, a Itaú Asset. O principal movimento ocorreu justamente na distância entre a gestora do Itaú e a terceira colocada, a Bradesco Asset Management (Bram), que avançou a passos largos após a incorporação da asset do HSBC. Anunciada em outubro de 2015, a aquisição foi efetivada apenas no segundo semestre de 2016 e aparece na presente edição do ranking Top Asset.
Completam o grupo Top 5, a asset da Caixa na quarta posição, e a Santander Asset Management, na quinta posição. A gestora do Santander conseguiu o maior crescimento inorgânico do volume de ativos sob gestão entre as maiores, com alta de 30,56% - atrás apenas da Bram, que cresceu 39,17% contando a incorporação da asset do HSBC. Com a saída da gestora do HSBC, as demais assets subiram uma posição – BTG Pactual, J.Safra, Votorantim, BNP Paribas e a Western Asset. Esta última entrou pela primeira vez no grupo das Top 10.
A BB DTVM manteve a liderança do ranking com uma ampla margem em relação aos principais concorrentes. A gestora do Banco do Brasil cresceu 17,55% no volume de ativos sob gestão e alcançou a marca de R$ 783,79 bilhões. “O ano passado foi um período marcado pela boa performance dos investimentos tanto em títulos públicos quanto em renda variável. Enfrentamos um primeiro semestre bastante desafiador e um segundo semestre bem mais positivo”, diz Carlos José da Costa André, diretor de gestão da BB DTVM.
A asset aproveitou as oportunidades de prêmios ainda altos nos títulos públicos para rechear as alocações dos fundos nessa classe de ativos. O total de títulos públicos aumentou em 21,73% em 12 meses e atingiu R$ 631,81 bilhões do total de ativos da BB DTVM. Com o início do novo ciclo de corte dos juros pela autoridade monetária, os fundos de índices de preços (família IMA) tiveram o desempenho favorecido e ajudaram os investidores a colher bons resultados em suas aplicações.
Apesar do retorno positivo também para a renda variável, o total de ativos em ações de empresas brasileiras da BB DTVM sofreu ligeira redução em 2016. Um dos motivos foram as reavaliações de carteiras com ações de controle de empresas, detidas pelos grandes fundos de pensão que são clientes da asset do BB. “Alguns grandes fundos de pensão promoveram a reavaliação das participações em empresas e, em alguns casos, também fizeram a venda de algumas posições”, explica Carlos André.

Fundos de pensão – Líder na gestão de recursos para fundos de pensão (entidades fechadas), a BB DTVM não registrou crescimento expressivo com este tipo de cliente. O total de recursos de fundos de pensão cresceu apenas 1,73% em 12 meses, número que indica declínio da carteira se considerada a rentabilidade no período. “Por um lado houve a reavaliação de algumas carteiras de ações, por outro, continuou o movimento de aumento das carteiras de títulos públicos por parte das fundações”, comenta Carlos André.
Com os prêmios dos títulos públicos acima de 6% em boa parte do ano passado, as fundações continuaram ampliando as alocações nestes ativos, muitas vezes, de forma direta, sem passar pelos gestores. Esse movimento sofreu uma mudança já no final do ano, com o início do novo ciclo de corte dos juros. “No final do segundo semestre foi reiniciado o processo de diversificação das alocações em fundos”, diz o diretor da BB DTVM. O executivo explica que a asset tem intensificado o trabalho de abordagem dos clientes fundos de pensão com o objetivo de oferecer fundos e mandatos de renda variável e multimercados com maior valor agregado.
Para 2017, Carlos André recomenda o retorno da diversificação das aplicações, pois os títulos públicos por si só, já não serão capazes de superar a meta atuarial dos planos de benefícios. Uma das opções que está de volta à mesa das fundações são os fundos de crédito privado. Depois de passar por dificuldades no ano passado, especialmente no primeiro semestre, os ativos de dívida corporativa agora apresentam processo de recuperação. “É o momento de aproveitar a recuperação dos ativos de crédito privado, além de opções específicas na renda variável”, aponta Carlos André.
As nova alocações em renda variável e multimercados podem trazer de volta recursos dos fundos de pensão, em especial, daqueles com baixa exposição nessas classes de ativos. Já em relação aos grandes fundos de pensão (Previ, Petros e Funcef), pode ocorrer algum desinvestimento, como por exemplo, o que ocorreu com a venda da participação na CPFL para os chineses da State Grid. A venda representa desinvestimento em fundos sob gestão da BB DTVM, mas os recursos obtidos podem ser alocados em outros fundos, diz o diretor da BB DTVM.

Aberta e private – A maior parte do crescimento da BB DTVM no ano passado foi puxada por dois segmentos de clientes: a previdência aberta e private banking. Os recursos sob gestão de previdência aberta cresceram 33,14% em 2016 para a asset do Banco do Brasil. Nesta categoria, a gestora é beneficiada pelo crescimento da entidade de previdência do grupo, a Brasilprev, e também pela distribuição dos fundos PGBL e VGBL pela rede do Banco do Brasil. “A Brasilprev ultrapassou a impressionante marca de R$ 200 bilhões de ativos sob gestão no início de 2017 e nós crescemos junto pois realizamos a gestão desses recursos”, explica Carlos André. A maior parte dos ativos da previdência aberta continua concentrada em títulos públicos. “Procuramos aproveitar as boas oportunidades em taxas de juros reais dos títulos públicos para os planos de previdência. A boa performance da bolsa ajudou também aqueles planos com uma parcela em renda variável”, diz o diretor da BB DTVM.
Outro destaque da asset do BB foi o crescimento do volume de ativos de clientes private. Para este segmento, a gestora focou na captação de fundos de renda variável e multimercados. Houve aumento do número de fundos multimercados exclusivos, divulgados pela unidade de private do BB. Um dos produtos que puxou a captação foram fundos fechados (com prazo para finalização) que aproveitou oportunidades de emissão de títulos de dívidas no exterior de empresas brasileiras de primeira linha.
A BB DTVM também se destacou com os clientes governos e fundos de políticas públicas, alcançando a primeira posição na frente da asset da Caixa Econômica. A gestora do BB estava na segunda posição no ranking anterior, mas alcançou a liderança com crescimento de 13,83% em 2016.
“Apesar da conjuntura de crise fiscal dos estados e municípios, tivemos um bom desempenho, principalmente no final do segundo semestre, quando houve aumento das captações com os governos”, diz Carlos André. A asset manteve ainda a liderança com os clientes de varejo e a segunda posição com os RPPS – regimes próprios de previdência.
Próximo ao empate – A disputa pela vice-liderança no ranking Top Asset nunca esteve tão próxima. A Itaú Asset cresceu 10,80% em 12 meses e alcançou R$ 639,70 bilhões em ativos sob gestão. Já A Bram teve crescimento muito maior, impulsionado pela incorporação dos fundos e carteiras da asset do HSBC, que no ranking anterior (publicado em agosto de 2016 com dados até junho de 2016) contabilizava R$ 79,08 bilhões em ativos sob gestão. Com a incorporação, a Bram alcançou R$ 626,03 bilhões – uma diferença de pouco mais de R$ 13 bilhões para a concorrente. A Bram teve um crescimento de 39,17% nos ativos sob gestão em 2016. Vinicius Albernaz, CEO da Bram, explica que, caso os números do HSBC já fossem considerados em junho, o crescimento da asset no segundo semestre teria sido ao redor de 11,5%. “Tivemos um crescimento importante, mas a aproximação com a Itaú Asset reflete de fato a aquisição do HSBC”, afirma o executivo.
Os segmentos private e middle private apresentaram os maiores crescimentos na base de clientes da Bram, de 54,9% e 108,2%, respectivamente, nos quais o HSBC tinha forte atuação, mas Albernaz ressalta que o impacto da aquisição foi bem distribuído entre as diversas classes de investidores e ativos. “O maior crescimento nesses segmentos refletem a aquisição, mas também a ampliação que aconteceu dentro do banco como um todo”, diz o CEO da Bram, que informa ainda que o processo de integração entre as equipes das duas casas já está completo. A disputa promete capítulos mais emocionantes nos próximos semestres, pois a Bram tem o desafio de manter a base de investidores do HSBC e ainda continuar crescendo no mercado de gestão. Já a Itaú Asset tem o desafio de retomar o crescimento depois de um ano de 2016 com baixo crescimento para sua base de ativos sob gestão.


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